| Interior da Capela do Seminário Santo Antonio em Agudos-SP Foto: Padre Rogério |
A humanidade desde tempos antigos
impõe fronteiras, limites. Porém, Deus, não!
Os homens impõe limites e
condições para amar; perdoar; ajudar; fazer justiça; ser solidário; cercas para
separar quintais, demarcando, assim um território que seja seu, como se
realmente fosse.
Deus não impõe nenhum limite. Ama
a todos; serve a todos; perdoa a todos; tudo e todos lhes pertencem, porém,
deixa-os livres para serem dEle ou não.
Deus é direito de todos. É para todos
os povos, raças e nações, assim dizendo. Mas, nem todos os povos, raças e
nações, O querem. Por isso, a fé é condição especial para que uma pessoa O
tenha.
A fé não conhece fronteiras. Deus
ouve e atende, sem distinção, as preces que lhes são dirigidas.
Nas leituras dessa 9ª. Semana do
Tempo Comum, Ano C, a Igreja vem tratar desse tema tão importante a nós
crentes: a fé. Ela não dispõe de limites. Todos que crerem são salvos pois, não
é um merecimento nosso, e sim, dom de Deus para nós.
Deus não tem dono. A fé n’Ele consagra
o homem, o une, e o integra ao Templo da Fé: Jesus Cristo, o seu enviado para
realizar o seu plano de amor.
Jesus Cristo é o Filho de Deus
que desenvolve no meio da humanidade a verdadeira revelação da pessoa de Deus,
que é Pai com coração de mãe e que deseja salvar a todos. Assim, se torna o
mediador entre os homens de fé e Deus que os ama e atende.
Na perícope do evangelho de hoje,
Lucas une as duas leituras anteriores. Salomão que pede que Deus atenda os
estrangeiros que, pela fé, adentram do Templo construído por ele para adorar
aquele que libertou o seu povo com “mão forte” e “braço estendido”. Paulo aos
Gálatas condenam aos que seguem outro evangelho que não seja o que por ele fora
anunciado: Jesus e não a prática da Lei com a circuncisão.
Ao relatar o episódio do oficial
romano, que não é judeu, mas, possui respeito à religião judaica e favorece que
os seus tenham um lugar para se reunirem e viverem a sua fé, Jesus, vendo a fé
daquele homem, superior à fé dos judeus, traz a tona a temática de hoje: a fé
não impõe fronteiras e Jesus faz o sinal permanente de que o Pai está com ele e
cura o escravo do centurião.
O texto de Lucas, mostra o Jesus
que é o Templo da fé. Não construído por mãos humanas, mas, gerado por Deus
para a libertação dos homens. Ele, Jesus, é Deus no meio do povo. Rompe as
fronteiras até mesmo de uma falsa imagem de quem é o Pai. Revela o Pai como misericórdia
sem limites.
Não há dignidade ao homem querer
ser salvo. A salvação é iniciativa de Deus, a nós, cabe a colaboração.
A fé do centurião pode ser
comparada com a nossa fé? Estamos impondo fronteiras à nossa fé?
A Deus ninguém detém. Jesus é a
ponte que nos une a Deus. Nossa fé é o que nos une para alcançar em comunidade
os dons de Deus.