sábado, 16 de julho de 2016

ACOLHIMENTO, CONTEMPLAÇÃO E SERVIÇO

Missa nas Casas. 2015.
O banquete que Deus hoje oferece
a nós homens. Celebrado nos
carvalhos de nossos lares:
nós oferecemos o espaço, Ele
o banquete: seu Filho. 
O acolhimento é essencial a todo cristão. O acolher é uma ação respeitosa entre os judeus. Aprendemos dessa cultura e religião que se trata até de uma vivência de fé.

Abraão acolhe aqueles três viajantes como se fosse o próprio Deus. Ele se põe a serviço e no final é servido por eles: quando da volta deles dentro de um ano, ele e a esposa teriam um filho.

A tensão teológica desse episódio dispõe que antes de acolher a vida, se colhe a origem dela: Deus.

Na passagem dos viajantes, há elementos da experiência divina que Abraão e Sara fizeram. Não era costume na conversa em casa de estrangeiros perguntar da esposa do dono da casa. Isso é rompido no diálogo. O acolher dos viajantes se torna uma experiência diferente.

Outro elemento presente é o presente oferecido: no ano seguinte, quando da volta deles, eles estariam com um filho. A necessidade de Abraão e Sara foi exposta pelos visitantes diante a intima força que foi gerado nesse acolhimento.

Assim, o autor do texto, expõe que o acolher é fonte de graça. Que a atitude de serviço na gratuidade, sem querer algo em troca, faz outros servidores.

Abraão serve aos viajantes com gratuidade, os acolhe em hora de descanso, oferece mais que o comum, e se põe em pé (ato de disposição ao serviço). Estes o serve com as bênçãos que precisam: lhe dão uma geração (filhos é sinal de benção).

O acolhimento que Maria e Marta oferecem à Jesus aponta o sentido da vivência cristã. Duas atitudes inversas, porém, unidas. Maria que fica aos pés do Mestre ouvindo-o e Marta que se ocupa de tantos afazeres.

Talvez, Jesus fosse uma visita, como se não fosse. Como diríamos aqui em nossa cultura “Já é da casa”, trata-se como um membro da família. Marta queria que Maria a ajudasse nos afazeres e deixasse Jesus a sós.

Marta recebe de Jesus uma orientação, de que Maria, estava o acolhendo e dando-lhe a atenção, enquanto ela, se ocupava de muitas coisas e esquecendo de que ele era uma visita. Deveria também ser recebido com mais atenção. Claro, que não é bem isso! Vamos entender a lição de Jesus.

Duas atitudes que o cristão exerce em sua vida de fé: a contemplação e a ação. Maria contemplava, Marta agia. Ambas são diversas, porém, se unem para o exercício da fé. Eu contemplo o mistério da vida divina e pratico as suas orientações.

O cristão autentico não só contempla, também serve.

A lição é de que possamos contemplar nos ensinamentos de Cristo, as ações que devemos realizar para que o Reino de Deus seja uma realidade constante no real ordinário do homem e do mundo.

A nossa prática cristã é uma exigência que Lucas aborda no Evangelho de hoje. Há uma profundidade teológica marcante. Que nos ajuda a ler o episódio de Mambré e a carta de Paulo. Não é uma cena cotidiana simplesmente mas, a expressão do profundo relacionamento entre Deus e os homens, homens e homens, homens e Deus.

O acolhimento de Deus na vida de fé é sempre marcada pelo serviço. Entender a presença do divino na vida humana, sabe-se que está diante de uma graça que não pode ficar unida em si, mas deve ser distribuída a todos.

A alegria e a satisfação é tanta que não tem como ficarmos diante da presença de Deus apenas contemplando. A alegria nos leva a transmitir a alegria a outros.

Queremos, como Paulo, transmitir a salvação que recebeu de Cristo com a mesma intensidade que Ele nos salvou?

Estamos íntimos demais de Deus que nem percebemos mais os efeitos de sua presença no meio de nós? Estamos aprisionados em nossos afazeres, que não damos mais atenção ao visitador e hóspede de nossa alma e o que ele tem a nos ensinar com a sua vida?


Como cristãos precisamos acolher e contemplar o Deus que nos visita como Maria e Paulo e, servi-lo com a mesma disposição de Abraão, Marta, Maria e Paulo.

Referência:

BORTOLINI, José. Roteiros Homiléticos: Anos A, B, C, Festas e Solenidades. São Paulo/Paulus, 2006. 2 ed. p. 640-644. 

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