domingo, 5 de junho de 2016

O EVANGELHO DA VIDA E NÃO O DA MORTE

A misericórdia de Deus novamente se manifesta na vida do homem. Os episódios narrados para esse 10° Domingo do Tempo Comum, com as duas viúvas e o ressurgimento da vida aos seus filhos, expressam a misericórdia divina frente ao sofrimento humano.

Também encontramos os resquícios da misericórdia na carta de Paulo aos Gálatas. Sim, o fundo principal não é a misericórdia mas, sim, a justificação da origem do Evangelho que ele proclamara àquela comunidade.

A origem do evangelho proclamado por Paulo não se trata de um evangelho aprendido dos homens, mas, sim, revelado por Jesus. Na sua integra entrega à sua “ressurreição”, ou seja, conversão. Provavelmente converter-se do judaísmo radicalizado e assumido o Jesus que se revela a ele,  Paulo, é como um ressuscitado: possui vida nova.

A força da vida nova o faz um arauto do evangelho de Cristo. Isso não o faz maior que os outros, mas, o faz fiel. Por isso, repreende aos Gálatas por abandonarem facilmente o evangelho anunciado por aceitarem a prática da circuncisão como meio de adquirir a salvação.

Em suma, Cristo age de misericórdia com Paulo que o ressuscita de uma radicalidade fanática que o estava matando, para uma vida nova. Na radicalidade da salvação em Cristo que liberta de todas as prisões, e é vida em plenitude. Persegue essa vida, se desgasta por ela, sofre perseguições e prisões por ela. E, é feliz por ela. Finalmente, Paulo, encontrou o verdadeiro sentido de viver: o Evangelho de Jesus Cristo.

Para Paulo, defender o evangelho anunciado por ele, é uma questão vital por ser fruto de uma misericórdia de Deus a toda a humanidade.

Nas passagens do reavivamento dos filhos das viúvas (com Elias e Jesus), marca a cultura dos povos daquela região e da época o descaso com as viúvas e empobrecidos.

A primeira narração ocorrido em Sarepta cidade pagã e um contexto de seca e pobreza, Elias fica hóspede em casa de uma viúva que concebe a presença daquele profeta como um olhar de Deus para com os seus pecados, diante da morte de seu filho. Não um olhar de misericórdia mas, de castigo pelos pecados cometidos. O profeta viera trazer a ira de Deus para com a viúva quando morre o seu filho. Essa era a visão de muitos sobre Deus: vinga os crimes dos pais nos filhos.

A presença do profeta, o homem de Deus, vem esclarecer essa falsa imagem de Deus. Ele não é condenação e sim salvação, misericórdia.

A dificuldade de ser viúva nessa época era a perda dos bens quando a descendência morre. Eram tomados seus bens e ela ficava vivendo da caridade dos outros. Era marginalizada. Por isso, as narrações narram a misericórdia de Deus e sua compaixão para com os excluídos.

Elias reverte o pensamento antigo e a errônea imagem de que possuem de Deus. Mostra com o reavivamento do filho da viúva a misericórdia que Deus é. Manifesta aos da época que Deus está ao lado dos marginalizados, dos explorados e dos pobres. Ensina àquela viúva que Deus a ama.

Lucas, apresenta Jesus como cumprimento das promessas de Deus. Sol nascente que veio brilhar para os seus. Luz para as nações. O Cristo de Deus Pai. Enviado ao mundo para manifestar a salvação aos homens por Ele amados.

Jesus, o Filho de Deus, condena todo tipo de exploração dos homens. Quebra as barreiras que prendem o homem aos erros e errônea compreensão de quem é Deus. Deus é um Pai misericordioso com coração de mãe e deseja a salvação para todos.

Jesus não apenas revive aquele filho, mas, também inaugura a esperança da verdade da ressurreição. Essa real ressurreição é o Pai quem a conceda na plenitude.

A vinda do Filho de Deus Pai e seus sinais, são para manifestar a vida nova e a ressignificação dos valores humanos que exprimem a realidade do Reino de Deus já presente na vida do homem nas obras de misericórdia.

Jesus expressa a vontade de vida plena para todos. Busca em sua atividade pública, anunciar a conversão. Conversão para a vida nova que Ele veio dar aos que n’Ele crerem. Como foi o caso de Paulo e, tantos outros que ele ressuscitou de suas vidas de morte pré-anunciadas.

Hoje estamos acompanhando ainda a passagem de Jesus sobre a nossa vida, pela nossa época. Quantas vidas Ele continua resgatando das situações de mortes? Algumas mais próximas de nós: o egoísmo; a dependência química; a indiferença com a vida (própria e do próximo); o hedonismo; o individualismo, entre tantas outras.

Os homens se apegam ao extraordinário, mas, o Pai age mais no ordinário para exprimir o extraordinário. O extraordinário está na sua misericórdia que é o seu ordinário. Ordinário para Deus é extraordinário para nós, pois, nem sempre conseguimos perceber o ser de Deus em sua profundidade.
A Igreja é uma mãe que recebe os resgatados de Jesus para os acompanhar à plenitude da ressurreição que o Pai realiza. Jesus com o que ensinou aos Apóstolos, formou a sua Igreja, para ser a continuadora de sua ação no mundo com a força de seu Espírito.


Por isso, nos perguntamos sempre, estamos sendo coerentes na fé professada com o Evangelho que recebemos de nosso Senhor, Jesus Cristo? Estamos ajudando as pessoas a encontrarem a vida nova que Cristo oferece? Ou estamos como aquelas duas multidões que ficaram apenas acompanhando e não tem a coragem de assumir solidariamente a vida que definha para a ressuscitar?

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