A misericórdia de Deus novamente
se manifesta na vida do homem. Os episódios narrados para esse 10° Domingo do
Tempo Comum, com as duas viúvas e o ressurgimento da vida aos seus filhos,
expressam a misericórdia divina frente ao sofrimento humano.
Também encontramos os resquícios
da misericórdia na carta de Paulo aos Gálatas. Sim, o fundo principal não é a
misericórdia mas, sim, a justificação da origem do Evangelho que ele proclamara
àquela comunidade.
A origem do evangelho proclamado
por Paulo não se trata de um evangelho aprendido dos homens, mas, sim, revelado
por Jesus. Na sua integra entrega à sua “ressurreição”, ou seja, conversão.
Provavelmente converter-se do judaísmo radicalizado e assumido o Jesus que se
revela a ele, Paulo, é como um
ressuscitado: possui vida nova.
A força da vida nova o faz um
arauto do evangelho de Cristo. Isso não o faz maior que os outros, mas, o faz
fiel. Por isso, repreende aos Gálatas por abandonarem facilmente o evangelho
anunciado por aceitarem a prática da circuncisão como meio de adquirir a
salvação.
Em suma, Cristo age de
misericórdia com Paulo que o ressuscita de uma radicalidade fanática que o
estava matando, para uma vida nova. Na radicalidade da salvação em Cristo que
liberta de todas as prisões, e é vida em plenitude. Persegue essa vida, se
desgasta por ela, sofre perseguições e prisões por ela. E, é feliz por ela.
Finalmente, Paulo, encontrou o verdadeiro sentido de viver: o Evangelho de
Jesus Cristo.
Para Paulo, defender o evangelho
anunciado por ele, é uma questão vital por ser fruto de uma misericórdia de
Deus a toda a humanidade.
Nas passagens do reavivamento dos
filhos das viúvas (com Elias e Jesus), marca a cultura dos povos daquela região
e da época o descaso com as viúvas e empobrecidos.
A primeira narração ocorrido em
Sarepta cidade pagã e um contexto de seca e pobreza, Elias fica hóspede em casa
de uma viúva que concebe a presença daquele profeta como um olhar de Deus para
com os seus pecados, diante da morte de seu filho. Não um olhar de misericórdia
mas, de castigo pelos pecados cometidos. O profeta viera trazer a ira de Deus
para com a viúva quando morre o seu filho. Essa era a visão de muitos sobre
Deus: vinga os crimes dos pais nos filhos.
A presença do profeta, o homem de
Deus, vem esclarecer essa falsa imagem de Deus. Ele não é condenação e sim
salvação, misericórdia.
A dificuldade de ser viúva nessa
época era a perda dos bens quando a descendência morre. Eram tomados seus bens
e ela ficava vivendo da caridade dos outros. Era marginalizada. Por isso, as
narrações narram a misericórdia de Deus e sua compaixão para com os excluídos.
Elias reverte o pensamento antigo
e a errônea imagem de que possuem de Deus. Mostra com o reavivamento do filho
da viúva a misericórdia que Deus é. Manifesta aos da época que Deus está ao
lado dos marginalizados, dos explorados e dos pobres. Ensina àquela viúva que
Deus a ama.
Lucas, apresenta Jesus como
cumprimento das promessas de Deus. Sol nascente que veio brilhar para os seus.
Luz para as nações. O Cristo de Deus Pai. Enviado ao mundo para manifestar a
salvação aos homens por Ele amados.
Jesus, o Filho de Deus, condena
todo tipo de exploração dos homens. Quebra as barreiras que prendem o homem aos
erros e errônea compreensão de quem é Deus. Deus é um Pai misericordioso com
coração de mãe e deseja a salvação para todos.
Jesus não apenas revive aquele
filho, mas, também inaugura a esperança da verdade da ressurreição. Essa real
ressurreição é o Pai quem a conceda na plenitude.
A vinda do Filho de Deus Pai e
seus sinais, são para manifestar a vida nova e a ressignificação dos valores
humanos que exprimem a realidade do Reino de Deus já presente na vida do homem
nas obras de misericórdia.
Jesus expressa a vontade de vida
plena para todos. Busca em sua atividade pública, anunciar a conversão.
Conversão para a vida nova que Ele veio dar aos que n’Ele crerem. Como foi o
caso de Paulo e, tantos outros que ele ressuscitou de suas vidas de morte pré-anunciadas.
Hoje estamos acompanhando ainda a
passagem de Jesus sobre a nossa vida, pela nossa época. Quantas vidas Ele
continua resgatando das situações de mortes? Algumas mais próximas de nós: o
egoísmo; a dependência química; a indiferença com a vida (própria e do
próximo); o hedonismo; o individualismo, entre tantas outras.
Os homens se apegam ao
extraordinário, mas, o Pai age mais no ordinário para exprimir o
extraordinário. O extraordinário está na sua misericórdia que é o seu
ordinário. Ordinário para Deus é extraordinário para nós, pois, nem sempre
conseguimos perceber o ser de Deus em sua profundidade.
A Igreja é uma mãe que recebe os
resgatados de Jesus para os acompanhar à plenitude da ressurreição que o Pai
realiza. Jesus com o que ensinou aos Apóstolos, formou a sua Igreja, para ser a
continuadora de sua ação no mundo com a força de seu Espírito.
Por isso, nos perguntamos sempre,
estamos sendo coerentes na fé professada com o Evangelho que recebemos de nosso
Senhor, Jesus Cristo? Estamos ajudando as pessoas a encontrarem a vida nova que
Cristo oferece? Ou estamos como aquelas duas multidões que ficaram apenas
acompanhando e não tem a coragem de assumir solidariamente a vida que definha
para a ressuscitar?

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