O Padre José Bortolini, padre
paulino, mestre em Sagradas Escrituras pelo Pontifício Instituto Bíblico de
Roma, no livro “Roteiros Homiléticos Anos A, B, C, Festas e Solenidades” traz
uma exegese bíblica em curtas palavras sobre o Evangelho de Lucas, capítulo 11,
versículos de 1 à 13 (17° Domingo do Tempo Comum ano C.) sobre a oração dos
cristãos.
Jesus é interpelado pelos seus
discípulos para os ensinar a orar. Era costume os mestres ensinarem os
discípulos orarem. Assim fez João Batista com os seus. Assim Jesus também não
foge à regra básica de todo bom judeu, que deveria ter um diálogo intimo com
Deus.
Jesus manifesta aos seus
discípulos que ao orar devemos tratar Deus como um próximo. Na oração estabelecemos
uma intimidade com Deus.
A novidade do ensinamento de
Jesus com outros mestres é o tratamento com que devemos orar. Orar é dialogar.
O trato da parte do homem com Deus deve se basear na intimidade e humildade.
Ao orar deve-se ter a humildade e
o querer conhecer a Deus. Assim fez Abraão e Deus se mostrou misericordioso,
uma vez que seu desejo é o do injusto se converter tendo como exemplo a vida do
justo (cf. Gn 18,20-32).
Jesus ensina a seus discípulos
que ao orar devem chamar Deus de Pai. Desta forma rompem com a distância entre
homem e Deus. Revela a face de Deus como um Pai. E no final ao comparar que se
um pai procura dar coisas boas aos filhos, quanto mais o Pai do céu dará o
Espírito Santo a quem o pedir. Ou seja, Deus Pai, dá ao homem o bem supremo:
seu Espírito que conduziu Jesus para o cumprimento de sua ação no mundo.
Lucas apresenta Jesus como mestre
de oração diferente dos outros. Jesus ensina aos cristãos que ao orar deve-se
fazer a experiência da intimidade com Deus, a fim de conhece-lo profundamente.
Devemos nos entregar ao Pai na oração para compreendermos o verdadeiro sentido
da sua paternidade sobre nós.
Bortolini, divide a pericope de
Lucas em uma estrutura de três aspecto relevantes com intenção de fazer compreender
a catequese do evangelista sobre a oração dos cristãos.
- 1 - A relação dos filhos com o
Pai (vv. 2-4) = Possui cinco elementos chaves que nos revela o que é rezar:
os dois primeiros versículos (v. 2) nos posiciona na abertura para o Pai e os
três últimos (vv 3-4) conduz à transformação nas relações às pessoas. Os conhecemos:
Santificado seja o teu nome (v.2b). Mais que pedido, a expressão
trata de um compromisso de comunhão com Deus. Os cristãos já conhecem que o
novo nome de Deus é “Pai”, santificar esse nome é reconhece-lo como aquele que
age na humanidade, não está ausente, mas, sim inserido em nossa história.
Venha o teu Reino (v. 2c.). Significa a nossa abertura, como
cristãos, ao projeto do Pai e nos leva à construção de sociedade e histórias
novas. Ressalta assim, um compromisso.
Dá-nos a cada dia o pão que precisamos (v.3). A expressão “cada dia”
própria de Lucas, exprime a “confiança incondicional dos cristãos no Pai” (p.
646), Ele quem destinou os bens do mundo a todos. Pedir o pão de cada dia é
assumir a partilha como realização do Reino através da fraternidade.
Perdoa-nos os nossos pecados, pois nós também perdoamos a todos os que
nos devem. (v. 4ª). Quando não se traduz em nossas relações humanas o
perdão de Deus, torna-se inútil e mentirosa a oração que Jesus nos ensina. Uma
vez que não perdoamos, deixamos de partilhar esse dom de Deus.
E não nos deixes cair em tentação (v. 4b). Somos condicionados a
viver em torno do ter, do poder, da ambição, do prestígio e da idolatria. São
as tentações que Jesus sofreu e as quais igualmente somos tentado. Essas
tentações nos fecham à partilha, já que, elas pervertem o projeto de uma
sociedade fraterna e igualitária. Elas devem, pelos cristãos, serem combatidas
com a partilha, o serviço, a igualdade, a solidariedade e a disponibilidade
para se construir uma nova sociedade e história.
-2- Certeza de ser ouvido (vv.5-10). A certeza de sermos ouvidos é
a ênfase desses versículos. Enquanto que a importunação do amigo é sinônimo de
atendimento na necessidade, Deus não quer que lhe sejamos mendigos, nossas
preces não é importunação a Deus em nossas necessidades. Deus nos dá o pão
nosso de cada dia e por isso, não precisamos mendigar aos amigos. A convicção
de sermos atendidos é que se pedirmos receberemos; se procurarmos, encontraremos;
se bater, as portas nos serão abertas.
-3- Deus é Pai (vv.11-13). Esta é a parte final da catequese de
Lucas sobre a oração dos cristãos. Retoma o tema da paternidade. Distingue
portanto, a paternidade divina da humana, com um juízo: “Se vocês, que são
maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai do Céu!” (v. 13a).
O modo de como Deus é Pai supera a dos homens. Os pais estão preocupado em dar
coisas boas aos filhos. O Pai, dá, o bem supremo aos cristãos: o Espírito
Santo, a fim de que possam levar a diante o projeto de uma sociedade justa e
fraterna, como imbuiu o Cristo a inaugurar o programa de salvação do Pai (cf Lc
4, 18).
Referência Bibliográfica
BORTOLINI, José (pe.). ROTEIROS
homiléticos: anos A, B, C, Solenidades e Festas. São Paulo/Paulus, 2006. 2 ed.
p. 644-647.

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