
Os teus olhos não fazem mais parte de um sonho louco. Nem de uma realidade ilusória, perdida em meus pensamentos surreais. É um sentido além daquilo que um dia senti em meu coração quando criança embalada por uma canção.
Os desejos adentrados em meu ser são flores agora. O sol distante no céu, não mais próximo quando do seu pôr no horizonte em busca da plenitude crepuscular, desaconselha uma vida em trevas, mergulhada num olhar que não sejam os de sua piedade.
Estes olhos que contemplo são os da verdadeira piedade. Eles me olham e me cercam de infinitas glórias, jamais sonhadas em minhas noites bem dormidas.
Os sonhos não desaparecem com a magnitude deste momento, a torna mais concreta e completa em mim o que faltara na adolescência.
Os olhos lacrimejam tamanha alegria...tantos sonhos tornados em realidade.
Os sofrimentos contestam toda dor, mas, a fortaleza que ela traz faz tudo suportar.
O tempo se lança longe da espera. O que se desespera não é mais uma angustia soberba, sem razão de ser. O que agora entra em desespero é a dor de não doer, a espera que não mais se espera, o futuro se faz presente e o presente é o futuro esperado, desejado, sonhado aqui neste presente momento.
O que mais quero além de contemplar a piedade de um olhar piedoso, por mim, por ti, por nós? Que violência poderia estuprar este momento e me tirar de você? Que razão lhe dar para que eu me afaste desta união? O meu desespero é o de me separar de ti. Não posso conceber, não quero sentir isso dentro de mim. Mas serei capaz de sobreviver à sua vontade desprezando a minha? Por isso devo querer que a minha vontade seja a sua? Outra crise nos envolve e já não sei o que me resta.
Estar longe de ti fará com que eu me desespere e viva sem viver. Feito zumbi a procurar uma razão para ser. Feito suicida que espera curar-se da dor mutilando a vida. Feito um aborteiro que não vê sentido em ter outra vida dentro de si. Que razão é essa? Que liberdade é essa? Presa ao desespero!? Me abraça e não me deixe só! Me socorre neste vale de morte e restitua a minha vida que perdi longe de ti. Faça voltar o tempo para que eu viva o tempo em que estive longe de você.
Eterniza-me em teus braços, em seu corpo torturado, em suas chagas esconda-me de meus pecados. Lava-me com o rubro suor que escorre por sua face cansada, esgotada e temerosa de solidão. Que esta solidão me ensine o sentido de viver perto de ti. E de querer que eu nunca me afaste. Alimente-me com seu Corpo, e sacie minha sede com seu Sangue.
Pe. Rogério Zenateli. Marília, 04 de junho de 2007.

