quarta-feira, 8 de junho de 2016

O INCOMPREENDIDO JESUS CRISTO

Reflexão Evangelho Mateus 5, 17-20

Cristo Crucificado Santuário NSa. Aparecida
Aparecida de São Manuel -SP
Foto: Pe. Rogério Zenateli
Jesus Cristo em muitos de seus discursos e práticas no anuncio do Reino foi incompreendido, tanto pelos seus discípulos quanto para o restante do povo e autoridades judaicas, políticas e religiosas.

Estamos num contexto do Evangelho de Mateus (5, 17-20) em que, Jesus é acusado de não cumprir a Lei. A época do escrito Jerusalém havia sido tomada pelo Império Romano e destruído o Templo, não havia mais o culto e os rabinos começam a liderar o povo. Estamos no contexto do Ano 70.

Muitos dos judeus convertidos ao Cristianismo, chamados no início de judeus-cristãos, estavam na confusão. Quem obedecer, aos rabinos que lutavam pelo restabelecimento religioso do povo e perseguiam os cristãos; ou aderiam fielmente à mensagem de Jesus através dos seus Apóstolo e da nova religião emergente?

Diante disso, Mateus escreve para poder intensificar o que aprendera do Mestre e o defender às falsas acusações que estavam sendo manifestas. Jesus não veio abolir a Lei, mas, fazê-la cumprir profundamente.

Mateus, compreende que, praticar a Lei como mero preceito não adianta, é preciso ter a real compreensão do que são os Mandamentos. Se cumprir apenas como ensinavam os mestres da Lei, de nada serviria a Lei. Para ser cumprida toda a Lei, ela deve estar pautada naquilo que o Cristo denunciava: de acordo com a vontade de Deus.

O bom judeu deveria cumprir a Lei na sua integridade, no que estava em suas entrelinhas: com um coração voltado para Deus e não praticas externas. Com o coração distante do Senhor, apenas cumpriremos uma obrigação. Assim como um pai obriga os filhos a irem para o campo sem eles estarem com vontade. O coração deles não estão no campo e por isso o trabalho se torna pesado, duro.

Quando compreendem que aquele serviço é para o seu benefício e que vencer o comodismo e se dispor a vivenciar a labuta do campo, o trabalho não é enfadonho, é um prazer.


Jesus veio dar pleno cumprimento da Lei. Cumpriu a Lei com toda a sua integridade e não por mero preceito. Amava o Pai e por isso, proclama o seu Reino não só em palavras mas, Ele mesmo se torna uma prática da Lei e supera a prática dos fariseus e mestres da Lei.

Material de Pesquisa: Os Evangelhos; G. Barbaglio; R. Fabris; B. Maggioni. Loyola/SP, 2ed 2002 (Coleção Bíblica Loyola) p. 117-119.

terça-feira, 7 de junho de 2016

PROPOSTA DE VIDA HUMANA E CRISTÃ

Reflexão sobre: 1Rs 17,7-16 e Mt 5,13-16

As condições de vida na época em que Elias é enviado a Sarepta, atual Sarafand (15km ao sul do Sídon na costa do Líbano), era de carestia prevista pelo próprio profeta. A leitura desse relato deve ser realizado à luz da fé para que não se torne um absurdo.

A viúva hospitaleira, acolhe a fé de Elias no Deus Javé o qual ele serve. É lhe caridosa servindo o último alimento que possuía para si e seu filho e agora também ao profeta.

O homem de Deus diante daquela viúva que tão pouco possuía para si e para seu filho, profere pela fé que possui em Deus, que não iria faltar o alimento para que pudessem viver aquele momento de carestia, pois, ele estava diante do Deus Javé.

Assim une a fé de Elias em Deus, a fé que a viúva, estrangeira, creu no mesmo Deus de Elias. Nada então faltou. Tudo o que possuíam foi necessário aos três. O texto do Antigo Testamento remete à salvação universal. Embora estrangeira, ela creu na mesma fé de Elias. Aquela que possuía pouco, repartiu com quem não tinha nada e foi agraciada. Mesmo que nossas crenças sejam diferentes, Deus continua sendo Pai de todos e quando manifestados gestos de caridades, expressões de amor verdadeiro, nada faltará a vida dos seres humanos. Todos são agraciados.

Jesus remete em seu discurso na montanha, a confiança nos homens. Ser sal e luz expressa a vocação do homem sobre o mundo. Jesus não diz, “sereis”. Ele diz “sois”: já é uma realidade. E o ser sal e luz integra a realidade de quem é discípulo de Jesus. Quem não assume essa realidade não pode ser discípulo do Mestre. Não vive a disponibilidade divina e está apartado de seu objetivo potencial.

Construir a plena realização do bem é o sinal da instauração do Reino de Deus sobre o mundo. Jesus alerta também dos perigos em se perder a identidade. Se o sal não salga e a luz não brilha, não tem utilidade. Não podemos deixar tornar insosso e inutilizada a potencialidade de nossa vocação humana. Nossa própria existência estaria sem sentido. O nosso viver é sem perspectivas e motivações.

Por isso, o amor, é essencial ao ser humano. Ele alimenta a fé e a esperança. É a base de todo o edifício humano que nos faz ser sal e luz no mundo e a exercer funcionalidade do existir. Se nossa fé não produz obras, Deus não é glorificado verdadeiramente. Nossa vida seria apenas um passar sem sentido nesse mundo.

Penso que nossa característica cristã não pode faltar para ser sal e luz para o mundo. Principalmente no seu cerne: o amor/caridade. Amor puro e verdadeiro, como foi o da viúva de Sarepta que creu em um Deus que não conhecia. Quantos ao nosso redor não conhece também a Deus como Ele é? Estamos sendo sal e luz que faz gerar assim a integridade de nossa prática cristã dando sentido à nossa vida e à dos nossos semelhantes? Quantos ainda, mesmo crentes, conhecem superficialmente o ser divino e sua proposta de vida para a humanidade? O que fazemos para que possam conhecer melhor a Deus e servi-lo com a mesma fé de Elias, de Maria, de José?

Ser discípulo de Jesus e não ser sal e luz no mundo para nada servimos. Pensemos sobre isso e se estamos agindo mal, possamos reverter nosso seguimento cristão.


Material Pesquisado: Missal Cotidiano p. 878-880 Editora Paulus 7 edição ano 2004

domingo, 5 de junho de 2016

O EVANGELHO DA VIDA E NÃO O DA MORTE

A misericórdia de Deus novamente se manifesta na vida do homem. Os episódios narrados para esse 10° Domingo do Tempo Comum, com as duas viúvas e o ressurgimento da vida aos seus filhos, expressam a misericórdia divina frente ao sofrimento humano.

Também encontramos os resquícios da misericórdia na carta de Paulo aos Gálatas. Sim, o fundo principal não é a misericórdia mas, sim, a justificação da origem do Evangelho que ele proclamara àquela comunidade.

A origem do evangelho proclamado por Paulo não se trata de um evangelho aprendido dos homens, mas, sim, revelado por Jesus. Na sua integra entrega à sua “ressurreição”, ou seja, conversão. Provavelmente converter-se do judaísmo radicalizado e assumido o Jesus que se revela a ele,  Paulo, é como um ressuscitado: possui vida nova.

A força da vida nova o faz um arauto do evangelho de Cristo. Isso não o faz maior que os outros, mas, o faz fiel. Por isso, repreende aos Gálatas por abandonarem facilmente o evangelho anunciado por aceitarem a prática da circuncisão como meio de adquirir a salvação.

Em suma, Cristo age de misericórdia com Paulo que o ressuscita de uma radicalidade fanática que o estava matando, para uma vida nova. Na radicalidade da salvação em Cristo que liberta de todas as prisões, e é vida em plenitude. Persegue essa vida, se desgasta por ela, sofre perseguições e prisões por ela. E, é feliz por ela. Finalmente, Paulo, encontrou o verdadeiro sentido de viver: o Evangelho de Jesus Cristo.

Para Paulo, defender o evangelho anunciado por ele, é uma questão vital por ser fruto de uma misericórdia de Deus a toda a humanidade.

Nas passagens do reavivamento dos filhos das viúvas (com Elias e Jesus), marca a cultura dos povos daquela região e da época o descaso com as viúvas e empobrecidos.

A primeira narração ocorrido em Sarepta cidade pagã e um contexto de seca e pobreza, Elias fica hóspede em casa de uma viúva que concebe a presença daquele profeta como um olhar de Deus para com os seus pecados, diante da morte de seu filho. Não um olhar de misericórdia mas, de castigo pelos pecados cometidos. O profeta viera trazer a ira de Deus para com a viúva quando morre o seu filho. Essa era a visão de muitos sobre Deus: vinga os crimes dos pais nos filhos.

A presença do profeta, o homem de Deus, vem esclarecer essa falsa imagem de Deus. Ele não é condenação e sim salvação, misericórdia.

A dificuldade de ser viúva nessa época era a perda dos bens quando a descendência morre. Eram tomados seus bens e ela ficava vivendo da caridade dos outros. Era marginalizada. Por isso, as narrações narram a misericórdia de Deus e sua compaixão para com os excluídos.

Elias reverte o pensamento antigo e a errônea imagem de que possuem de Deus. Mostra com o reavivamento do filho da viúva a misericórdia que Deus é. Manifesta aos da época que Deus está ao lado dos marginalizados, dos explorados e dos pobres. Ensina àquela viúva que Deus a ama.

Lucas, apresenta Jesus como cumprimento das promessas de Deus. Sol nascente que veio brilhar para os seus. Luz para as nações. O Cristo de Deus Pai. Enviado ao mundo para manifestar a salvação aos homens por Ele amados.

Jesus, o Filho de Deus, condena todo tipo de exploração dos homens. Quebra as barreiras que prendem o homem aos erros e errônea compreensão de quem é Deus. Deus é um Pai misericordioso com coração de mãe e deseja a salvação para todos.

Jesus não apenas revive aquele filho, mas, também inaugura a esperança da verdade da ressurreição. Essa real ressurreição é o Pai quem a conceda na plenitude.

A vinda do Filho de Deus Pai e seus sinais, são para manifestar a vida nova e a ressignificação dos valores humanos que exprimem a realidade do Reino de Deus já presente na vida do homem nas obras de misericórdia.

Jesus expressa a vontade de vida plena para todos. Busca em sua atividade pública, anunciar a conversão. Conversão para a vida nova que Ele veio dar aos que n’Ele crerem. Como foi o caso de Paulo e, tantos outros que ele ressuscitou de suas vidas de morte pré-anunciadas.

Hoje estamos acompanhando ainda a passagem de Jesus sobre a nossa vida, pela nossa época. Quantas vidas Ele continua resgatando das situações de mortes? Algumas mais próximas de nós: o egoísmo; a dependência química; a indiferença com a vida (própria e do próximo); o hedonismo; o individualismo, entre tantas outras.

Os homens se apegam ao extraordinário, mas, o Pai age mais no ordinário para exprimir o extraordinário. O extraordinário está na sua misericórdia que é o seu ordinário. Ordinário para Deus é extraordinário para nós, pois, nem sempre conseguimos perceber o ser de Deus em sua profundidade.
A Igreja é uma mãe que recebe os resgatados de Jesus para os acompanhar à plenitude da ressurreição que o Pai realiza. Jesus com o que ensinou aos Apóstolos, formou a sua Igreja, para ser a continuadora de sua ação no mundo com a força de seu Espírito.


Por isso, nos perguntamos sempre, estamos sendo coerentes na fé professada com o Evangelho que recebemos de nosso Senhor, Jesus Cristo? Estamos ajudando as pessoas a encontrarem a vida nova que Cristo oferece? Ou estamos como aquelas duas multidões que ficaram apenas acompanhando e não tem a coragem de assumir solidariamente a vida que definha para a ressuscitar?