Quando ela
abriu aquela porta e a atravessando, tão de imediato foi a satisfação que
exclamou no seu íntimo: “Esse é um solo sagrado!”
Não havia
se passado muito tempo desde que ela o conheceu. Ela não era uma artista, mas,
sua sensibilidade para as certezas da vida eram aguçadas. E o medo não a
amedrontava, lhe era um aliado para as suas decisões.
Diante do
medo do novo e a certeza de que o arriscar-se é parte da nova experiência para
ser feliz, lançou-se nos braços de seu amado em pouco tempo de conversas e
sorvetes na praça da igreja de sua comunidade.
A viagem
pelo seus sentimentos que, não a torturava mas, a deixava livre para a verdadeira
escolha diante de tantos contrastes que era o outro, procurou não se
desvincular, mas, compreender; não aceitar e, sim, acolher para entender. Ela
mergulhou fundo no mistério do outro ser. Sondou os mais profundos abismos do
diferente de si encontrando tesouros que a enriqueceu, sem abandonar o tesouro
que ela já era e possuía.
Ela
percebeu que o amor não é um investimento e sim a felicidade!
Ele
também, pelo que se consta, exercia certos vícios, porém, a justeza dela,
equilibrou o destemperado que lhe havia. Sentiu-se feliz ao consumir-se nos
beijos dela. Ela se tornou o altar, onde o sacrifício ofertado, enriquecia o
seu existir e não um entorpecimento! Ela era o seu altar sagrado!
Os dois se
uniram, edificaram a feliz observância do amor mútuo e desse ato, se submeteram
um ao outro.
Por isso,
ao adentrar a porta daquela casa, adquirida com o suor sagrado que pingava de
seus rostos apaixonados, dia após dia; noite após noite; não chamava de casa, e
sim de lar! Um solo sagrado.

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