terça-feira, 19 de março de 2019

[Crônicas da Vida] SOLO SAGRADO



Quando ela abriu aquela porta e a atravessando, tão de imediato foi a satisfação que exclamou no seu íntimo: “Esse é um solo sagrado!”

Não havia se passado muito tempo desde que ela o conheceu. Ela não era uma artista, mas, sua sensibilidade para as certezas da vida eram aguçadas. E o medo não a amedrontava, lhe era um aliado para as suas decisões.

Diante do medo do novo e a certeza de que o arriscar-se é parte da nova experiência para ser feliz, lançou-se nos braços de seu amado em pouco tempo de conversas e sorvetes na praça da igreja de sua comunidade.

A viagem pelo seus sentimentos que, não a torturava mas, a deixava livre para a verdadeira escolha diante de tantos contrastes que era o outro, procurou não se desvincular, mas, compreender; não aceitar e, sim, acolher para entender. Ela mergulhou fundo no mistério do outro ser. Sondou os mais profundos abismos do diferente de si encontrando tesouros que a enriqueceu, sem abandonar o tesouro que ela já era e possuía.

Ela percebeu que o amor não é um investimento e sim a felicidade!

Ele também, pelo que se consta, exercia certos vícios, porém, a justeza dela, equilibrou o destemperado que lhe havia. Sentiu-se feliz ao consumir-se nos beijos dela. Ela se tornou o altar, onde o sacrifício ofertado, enriquecia o seu existir e não um entorpecimento! Ela era o seu altar sagrado!

Os dois se uniram, edificaram a feliz observância do amor mútuo e desse ato, se submeteram um ao outro.

Por isso, ao adentrar a porta daquela casa, adquirida com o suor sagrado que pingava de seus rostos apaixonados, dia após dia; noite após noite; não chamava de casa, e sim de lar! Um solo sagrado.

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