Isabella e o aborto
Quem se revolta com algo é porque tem sensibilidade e a coerência de ver algo contra determinado valor. Nesse caso da Isabella, o valor que temos é a vida. Quem não se revolta diante desse acontecido? Só os insensíveis e o (s) assassino (s) que cometem tal crime, longe de qualquer julgamento – é que existem pessoas que não se importam com o que acontece ao seu redor, como se se pode viver como se fossem ilhas.
Há pessoas sensíveis que se revoltam e há pessoas sensíveis que não se revoltam. E aí o que fazer? Parece não haver lógica! Mas há. Se pensarmos que as mesmas pessoas que se sensibilizaram e se revoltaram condenando tal fato contra a vida de Isabella, não se sensibilizam e nem se revoltam com a morte de uma criança ainda no ventre de sua genitora. Não há diferença de uma vida a outra. Há diferença de história de vida. Várias questões poderíamos fazer a partir disso, mas, seria importante para este texto e à nossa reflexão? Em todo caso, fiquemos com apenas essa para refletirmos durante o dia ou dias que se passarão depois de sua leitura: “Por que uma possui o direito de se ter uma história, mesmo que seja de cinco anos e, a outra de nem um dia ou menos?”. Mas, não vamos gerar polêmicas, apenas reflexões e soluções.
Um feto não é considerado pessoa uma vez que ele pode ser abortado. Não goza de direitos. Um embrião é considerado pessoa e pode ser utilizado para gerar um órgão para implante em alguém que precise. Ele não é uma pessoa quando se leva em consideração o favor ao aborto ou quando convém? No entanto, um embrião pode gerar um órgão e o que o impede em gerar uma pessoa então? Talvez a nossa ignorância em aceitar o aborto. Ou a pessoa que poderia dar a resposta a essa questão fora abortada ou poderá vir a ser, o futuro dependerá do hoje, assim como a resposta. Se a ciência pode gerar vida por quê gerar a morte? Uma célula pode se transformar em pessoa naturalmente, sinal de que nela já se exista vida, se não como duplicariam e tudo o mais dentro do processo constitutivo humano.
Acima falamos de resposta, assim sendo, o que é uma pessoa? Pessoa é aquele homem ou mulher que existe moralmente e judicialmente. O ser moral possui dignidade. O ser judicial está sujeito a direitos e deveres. A ciência sabe que um feto já possui as características herdadas de seus pais. Aliás, sabe que o espermatozóide e o óvulo carrega a carga genética dos genitores. E existem pessoas que insistem em dizer que embrião não é pessoa, mesmo nos primeiros instantes da fecundação.
A revolta contra a morte, violenta ou não, é um sim à vida. Façamos desta revolta a nossa volta ao sentido dos valores que embora pareçam terem desaparecidos da nossa sociedade atual, quando se referem à vida demonstram bem vivos e enraizados no consciente coletivo e no arcabouço histórico da sociedade. Escolhamos, pois, a vida e lutemos contra a ideologia de morte que nos rodeia querendo nos devorar.
Padre Rogério Zenateli
30.04.2008
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