| Foto: Pe. Rogério / Detalhe do vitral Multiplicação dos Pães na Catedral de Botucatu-SP |
Secretos indigentes soletram diariamente a tristeza em
seu olhar.
Secretos indigentes sonham a sós a sobrevivência de cada
dia.
Secretos indigentes abandonados pelas ruas
Seu primeiro abandono foi de si mesmos.
Abandonaram-se à sorte de quem lhes ajuda,
Quando ajuda!
Secretos indigentes, sem nomes, porque poucos lhes
perguntam.
Secretos indigentes, ninguém quer ouvi-los, se entregam à
dor do silêncio.
Secretos indigentes, não ouvem, pois, quem os quer ouvir?
Secretos indigentes, mendigos de si mesmos e do sistema
que os geraram.
Eles dependem só de si, porém, quando um servo divino lhe
dá um pão,
Reconhecem que Deus é por eles.
Secretos indigentes, não mostram o seu rosto porque
poucos se ocupam de sua história.
Secretos indigentes consumiram vícios e hoje os vícios os
consomem.
Secretos indigentes, o que podemos fazer?
Secretos indigentes, o que resta a nós saber?
Secretos indigentes, o amor os abandonou?
Secretos indigentes, ainda sabem amar?
Secretos indigentes o que procuram pelos caminhos de seu
solitário caminho?
Secretos indigentes sabem o que são?
Secretos indigentes uma mão lhes é estendida.
Secretos indigentes estendem as suas mãos em sua direção.
Secretos indigentes saibam que o sentido de viver
É uma lágrima diante quem pode enxugá-la.
Secretos indigentes, o frio é aquecido nos olhos de quem
tem misericórdia.
Secretos indigentes não morram sós, pois, a sós não
estão!
Secretos indigentes a sós estão?
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