sábado, 30 de julho de 2016

ACUMULO E LOUCURA



O acúmulo de bens é criticado na Liturgia da Palavra deste final de semana. Contra todo tipo de acumulo que gera a injustiça através da exploração humana, o Pai, profere ser uma insensatez tal método. 

O Pai é o senhor da vida. Acumular bens nesta terra é estar na contra mão de seu projeto de vida ao homem. Não que os bens não sejam necessários. O homem não pode ser escravo dos bens.

A única herança do homem deve ser o Pai celestial. Nada nesse mundo deve tirar o homem de seu destino. O homem que se deixa escravizar pelo acumulo de bens incorre em idolatria.

Jesus, o Cristo, alerta aos seus ouvintes sobre a ganância. A ganância afasta o homem de traçar o caminho do projeto de vida do Pai. Impede de viver a verdadeira alegria de uma vida bem aproveitada. 

A leitura do Livro do Eclesiastes 1, 2; 2, 21-23 e o Evangelho de Lucas 12, 13-21 exprime o desejo divino do Pai frente ao desejo impulsivo do homem em acumular os bens. O Pai condena tal prática contrária ao ideal de partilha proposta aos homens.

Com o acumulo advém a exploração do homem pelo homem. O contraste das cidades com as aldeias, mostravam a força opressora do acumulo contra a dignidade do homem e de quem trabalhava honestamente para suster os seus. 

Assim chama idolatria toda ganancia. Jesus faz refletir que toda justiça não se faz moldado pela ganancia. Os filhos da ganancia são a injustiça, o ódio, as guerras, as fomes, os roubos, os assassínios; contra esse mal que destrói a natureza humana, Jesus, apresenta o projeto de vida do Pai às suas criaturas: o Reino dos Céus como caminho de dignidade para o homem.

Buscai o Reino e tudo mais será acrescentado. O Reino é a partilha. É o participar da vida divina do Pai. Assim, Paulo ensina à comunidade dos colossenses que o ideal cristão é visar as coisas do alto. Libertar das paixões, das formas de exploração, de toda vaidade que nos prendem a uma humanidade já ultrapassada é deixar de viver a dignidade restaura em Cristo de uma vida nova.

Já pelo Batismo, aponta o Apóstolo, somos revestidos do Cristo, assim ser cristão é ser outro Cristo. Baseado nas suas atitudes, sermos seus imitadores, na fidelidade ao projeto de vida do Pai para todos os homens.

Compartilhar deve ser a chave de leitura para compreendermos a dimensão do Reino dos Céus inaugurado por Jesus contra a ganância que, traz como frutos, a falta da dignidade de vida humana às criaturas de Deus Pai.

Acreditar que o acumulo de bens é mais necessário que Deus, a quem os bens pertencem, é ser insensato, que na linguagem bíblica significa: o homem que não toma em consideração a Deus. Aquele se encontra fechado em si, é fechado à Deus e aos outros e por isso, na solidão torna-se destituído de lucidez que o move a viver a dignidade aberto às realidades do fazer circular os bens e distribui-los aos necessitados e não acumular.

Referências Bibliográficas

ARMELINI, Fernando. CELEBRANDO a Palavra, Ano C. São Paulo/Ave Maria, 2005. 4 ed. p. 340-347.

BORTOLINI, José, pe. ROTEIROS Homiléticos: Anos A, B, C, Festas e Solenidades. São Paulo/Paulus, 2006. 2 ed. p. 649-653.

FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. OS Evangelhos (II). São Paulo/Loyola, 2006. 4 ed. p. 139-140.

sexta-feira, 29 de julho de 2016

CONTEMPLAR E SERVIR, SEM CANSAR



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Jesus percorre uma grande viagem até Jerusalém. Tudo indica que seja a última a partir dos fatos da narrativa do evangelista Lucas. 

Essa grande viagem inicia no capítulo 9 de Lucas. O evangelista contrapõe na capítulo 10 a falta da acolhida que o Mestre obteve no início da viagem não encontrando a hospitalidade da Samaria. Em Bethânia (Cap. 10, 38-42) o Mestre encontra a hospitalidade na casa de Marta e Maria. 

Os temas da rejeição e aceitação do Mestre se encontram nesta longa viagem. Lucas exprime esses fatos e os narra de forma elaborada e na expectativa de educar na fé.

O Mestre, sentindo acolhido na casa de Marta e Maria, se lança ao seu objetivo obediente: anunciar o Reino. Maria, se depõe ao seus pés para aprender.

Maria, contempla nas palavras do Mestre, quase que numa mística inenarrável, até mesmo pelo evangelista, como toda experiência mística. Sua contemplação é profunda. 

Marta, esquece da hospitalidade para se ocupar e preocupar-se com os afazeres da casa. Uma grande doméstica, que exprime o que não deve ser a atitude do discípulo do Mestre, não no sentido de nada fazer, mas, o de fazer por fazer.

A longa viagem a Jerusalém é marcada por grandes ensinamentos. O cristão deve estar atento, pois, também estamos em uma longa viagem nesta vida. Estar atento, porque o Mestre faz conosco essa viagem. 

Na rotina de nosso dia estamos sendo contemplativos no tempo que possuímos? Ou deixamos ele nos possuir e não atentar à presença do Mestre em nossos afazeres? Contemplamos no dia a dia essa presença o que o Mestre nos lança como sementes para o melhor de nosso existir e transformação da nossa realidade?

O Mestre da vida nos ensina a vive-la em sua essência. A atitude de todo discípulo que aceita o Mestre e o proclama Filho de Deus, é de contemplar nas suas palavras a essência de suas ações. Só assim poderemos fazer o que temos que fazer sem nos cansar.

Ah como foi incansável a ação de Pedro, de Paulo e os demais apóstolos que, mesmo diante das perseguições; das mortes que seus olhos e ouvidos fizeram saber nos primeiros séculos da pregação do Evangelho; prisões e torturas, não os cansaram e nem calaram as suas vozes que ressoam até hoje para nós.

Aprenderam na contemplação a essência das atitudes que assumiram realizar por amor ao Mestre.

Referencia Bibliográfica
FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. OS Evangelhos (II). São Paulo/Loyola, 2006. 4ed. p. 127.

Você também pode ler inclusive o interessante  artigo do Portal A12 link : http://www.a12.com/formacao/detalhes/conhecendo-os-evangelhos-ser-como-marta-e-maria

quarta-feira, 27 de julho de 2016

O TESOURO E A PÉROLA PRECIOSA



O projeto do Pai é maior e melhor do que as nossas convicções. Nas entrelinhas é o que podemos afirmar diante do Capítulo 13, versículos 44 à 46 de Mateus, proposto a ser orado e praticado na Liturgia da Palavra de hoje.

O projeto do Pai é o seu Reino dos Céus vivido pelos homens e mulheres da terra. Torna-se um tesouro e uma pérola preciosa para aqueles que descobrem o seu real valor à vida.

Jesus situa essas duas parábolas aos seus ouvintes para que possam fazer as suas escolhas. Ele anuncia o Reino dos Céus, que já se inaugura com a sua vinda. Escolher por esse Reino, transformado em realidade na vida do povo, é aceitar a Jesus como o Cristo de Deus e ser seu seguidor. 

O Capítulo 13 de Mateus trata do conjunto das parábolas do Reino. Jesus através de parábolas anuncia o Reino dos Céus e cobra uma atitude de seus discípulos diante dessa revelação do Reino. Optar por esse Reino é se inserir no seguimento de Jesus. Percorrendo o mesmo caminho que Ele percorre que é a essência do Reino. 

A essência do Reino é a vontade do Pai de que todos possam participar da sua vida divina. Jesus é o inaugurador desse Reino na terra, os discípulos, seus seguidores que irão continuar a missão de Jesus em manter esse Reino sinal de unidade do Pai e do Filho na ação do Espírito Santo na vida do mundo.
A realidade do Reino é um tesouro valoroso e uma pérola preciosa para todos. Fazer com que os homens e mulheres compreendam isso é a missão de cada batizado que descobriu esse profundo chamado do Pai a conhecer os mistérios de seu Reino e a ele aderir. Aderindo somos partícipes de sua vida divina.

Que sejamos impelidos por Jesus a fazer uma escolha como exigiu de seus discípulos a escolha definitiva pelo Reino. Tornaram-se seguidores de seu Evangelho e assumiram a riqueza do Reino como realidade concreta na fidelidade ao Pai e sob a ação do seu Espírito, transformando a própria vida e a vida de todos que, como eles, escolheram o Reino como tesouro e pérola preciosa.

Referência Bibliográfica
BARBAGLIO, Giuseppe; FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno. OS EVANGELHOS (I). São Paulo / Loyola, 2002. 2 ed. p.227-228. Biblica Loyola 1.