O acúmulo de bens é criticado na
Liturgia da Palavra deste final de semana. Contra todo tipo de acumulo que gera
a injustiça através da exploração humana, o Pai, profere ser uma insensatez tal
método.
O Pai é o senhor da vida.
Acumular bens nesta terra é estar na contra mão de seu projeto de vida ao
homem. Não que os bens não sejam necessários. O homem não pode ser escravo dos
bens.
A única herança do homem deve ser
o Pai celestial. Nada nesse mundo deve tirar o homem de seu destino. O homem
que se deixa escravizar pelo acumulo de bens incorre em idolatria.
Jesus, o Cristo, alerta aos seus
ouvintes sobre a ganância. A ganância afasta o homem de traçar o caminho do
projeto de vida do Pai. Impede de viver a verdadeira alegria de uma vida bem
aproveitada.
A leitura do Livro do Eclesiastes
1, 2; 2, 21-23 e o Evangelho de Lucas 12, 13-21 exprime o desejo divino do Pai
frente ao desejo impulsivo do homem em acumular os bens. O Pai condena tal
prática contrária ao ideal de partilha proposta aos homens.
Com o acumulo advém a exploração
do homem pelo homem. O contraste das cidades com as aldeias, mostravam a força
opressora do acumulo contra a dignidade do homem e de quem trabalhava
honestamente para suster os seus.
Assim chama idolatria toda
ganancia. Jesus faz refletir que toda justiça não se faz moldado pela ganancia.
Os filhos da ganancia são a injustiça, o ódio, as guerras, as fomes, os roubos,
os assassínios; contra esse mal que destrói a natureza humana, Jesus, apresenta
o projeto de vida do Pai às suas criaturas: o Reino dos Céus como caminho de
dignidade para o homem.
Buscai o Reino e tudo mais será
acrescentado. O Reino é a partilha. É o participar da vida divina do Pai. Assim,
Paulo ensina à comunidade dos colossenses que o ideal cristão é visar as coisas
do alto. Libertar das paixões, das formas de exploração, de toda vaidade que
nos prendem a uma humanidade já ultrapassada é deixar de viver a dignidade
restaura em Cristo de uma vida nova.
Já pelo Batismo, aponta o
Apóstolo, somos revestidos do Cristo, assim ser cristão é ser outro Cristo. Baseado
nas suas atitudes, sermos seus imitadores, na fidelidade ao projeto de vida do
Pai para todos os homens.
Compartilhar deve ser a chave de
leitura para compreendermos a dimensão do Reino dos Céus inaugurado por Jesus
contra a ganância que, traz como frutos, a falta da dignidade de vida humana às
criaturas de Deus Pai.
Acreditar que o acumulo de bens é
mais necessário que Deus, a quem os bens pertencem, é ser insensato, que na
linguagem bíblica significa: o homem que não toma em consideração a Deus. Aquele
se encontra fechado em si, é fechado à Deus e aos outros e por isso, na solidão
torna-se destituído de lucidez que o move a viver a dignidade aberto às realidades
do fazer circular os bens e distribui-los aos necessitados e não acumular.
Referências Bibliográficas
ARMELINI, Fernando. CELEBRANDO a
Palavra, Ano C. São Paulo/Ave Maria, 2005. 4 ed. p. 340-347.
BORTOLINI, José, pe. ROTEIROS
Homiléticos: Anos A, B, C, Festas e Solenidades. São Paulo/Paulus, 2006. 2 ed.
p. 649-653.
FABRIS, Rinaldo; MAGGIONI, Bruno.
OS Evangelhos (II). São Paulo/Loyola, 2006. 4 ed. p. 139-140.

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