sábado, 28 de dezembro de 2019

FAMÍLIA, SAGRADA?




A instituição social mais antiga entre os humanos é chamada de família. Por assim dizer, a família é a base de outras formas de relacionamentos de vida em sociedade.

Os clãs familiares foram crescendo e gerando o que hoje chamamos civilizações. Compostas de regras, leis, sistemas econômicos, credos que sedimentaram as culturas humanas. Povos, raças, línguas, expressões artísticas, compõem esse diverso ambiente humano: rico, próspero, exuberante, poderoso, esplêndido e ao mesmo tempo empobrecido, confuso, caduco, repleto de contrários. Será que alguma vez em sua própria história, houve harmonia?

Voltamos ao princípio: a micro sociedade, a família! Quais os vínculos que estreitam o companheirismo entre homem e mulher e sua descendência com todos os seus contrários? São regras construídas? Naturalidade? Pelo jeito é uma unidade dos dois. O natural e a convenção resultam em graça, bênção. Unir dois extremos não deve ser fácil se não houver algo a mais do que o simplesmente humano. Unir duas vontades diferentes e ainda depois, vindo um terceiro...quarto...quinto... tem que ser sagrado!

O que você acha leitor paciente: a Família é Sagrada? Se a família for sagrada todo o resto advindo também o é? Será? SIM, a instituição família é SAGRADA! O que vem depois também o era para ser, assim pela lógica. Mas, mesmo nas melhores famílias, há um tiquinho de conflitos, que na verdade, pela angústia que causam, fortalece o vínculo, mesmo de uma forma negativa: as feridas causadas pelos conflitos marcam a epiderme e o vínculo não é esquecido. Feito tatuagem no íntimo. Difícil de ser apagado, porém, deve com o tempo ser aliviado a dor, mesmo que os laços não sejam tão estreitos mais.

A dureza de coração, quem irá julgar estar certo ou errado? Cada família tem as suas histórias de quedas e superações. Quais as suas? Elas fazem rir agora e ou chorar ainda? Há possibilidade de uma reconciliação ou melhor ficar como está? O sagrado da família, o deixou de ser?

Graça dada é graça mantida. A dureza do coração do homem é o que arranha a bênção. O sagrado da família é abalado, no entanto, não se torna maldição, assim como o dom de ser mãe “é padecer no paraíso”.

O que pode arranhar o relacionamento familiar? Há várias matizes: mentiras, incompreensão, abusos no relacionamento; cada família tem a sua história de chagas, que na experiência pode aumentar ou diminuir essa lista de ranhuras.

Que possamos manter o sagrado da família sem arranhões, que seja uma oração diária.

Imagem retirada do site:
http://cnbbn2.com.br/o-valor-da-familia-no-sinodo-da-amazonia/ 

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

A AFIRMAÇÃO DO CRISTO


“Ide contar a João o que estais ouvindo e vendo: os cegos recuperam a vista, os paralíticos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e os pobres são evangelizados. Feliz aquele que não se escandaliza por causa de mim.” (Mt 11,4-5). E assim Jesus dá testemunho de si mesmo.


Esses elementos que Jesus diz aos discípulos de João Batista são sinais de que Ele é o Messias, esperado e anunciado por João. João não pode ter dúvidas de que ele estava certo: Jesus é o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.


Nós, cristãos batizados, em uma realidade tão surreal, de isenções e extremismos, temos dúvidas de que Cristo Jesus é a cura para a nossa falta de visão, paralisias, lepras, surdez, cultura de morte e pobreza promovida pela desigualdade social cada vez mais adentrando a sociedade?


Com certeza trata-se de uma alegria para o povo de Israel que por 800 anos esperou esses sinais da presença do Salvador. João Batista, aprisionado pelas suas convicções, como bom profeta e maior homem já nascido de mulher, alegra-se porque o Cristo não o escandaliza.


O que escandalizava o João Batista, era a hipocrisia de seus governantes, as autoridades religiosas de seu povo, a violência e corrupção dos militares do império romano, a miséria econômica e intelectual em que vivia o seu povo, o radicalismo cego em que viviam os que podiam lançar luz para ajudar o povo a sair de sua condição exploratória, e não o faziam.


O Cristo, não escandalizava a João Batista. O Cristo com o seu intento de amor a Deus e ao próximo, escandaliza os seus seguidores hoje? A mim que escrevo Jesus não escandaliza. Jesus me atrai para continuar a sua missão de salvação para o mundo. Amplifica o desejo divino de alegria e libertação para as suas criaturas. Deus não quer as prisões da exploração.


O que deveria escandalizar o ser humano não é o Cristo, mas, a fome, o desemprego, a corrupção, a propina, a guerra, a violência, o Feminicídio, os vícios, o preconceito, o racismo e tantos outros atos que degradam a dignidade do homem.


Afirma ao Cristo verdadeiro e, faça negação àquilo que é contrariedade à vivência da afirmação à Cristo.


sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

CASA



Deus é casa.
Casa remete a lar.
Lar remete a família.
Família remete à estabilidade.
Estabilidade remete à segurança.
Segurança remete à paz.
Paz remete à Deus.
Deus remete à criação.
Criação remete à autor.
Autor remete à artista.
Artista remete à criação.
Criação remete à criador.
Criador remete à Deus.
Deus remete à Paz.
Paz remete à segurança.
Segurança remete à estabilidade.
Estabilidade remete à família.
Família remete à lar.
Lar remete à casa.
Casa remete à Deus.

A nossa vida é sustentada pelo Criador. Ele nos trata com carinho, amor e dedicação. Assim é todo artista que compõe a sua obra com esses atributos. É no Criador que a criatura se identifica porque o Criador deposita na criatura um pouco de si. Na criatura há uma essência do criador.

Quão belo será a criatura que faz desabrochar o que mais há de valor em seu Criador em si.

Imagem da escultora Camille Claudel
Imagem retirada do site
 https://www.hypeness.com.br/2017/04/ofuscada-por-rodin-e-pelo-machismo-finalmente-camille-claudel-ganha-seu-proprio-museu/

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

INSANIDADE É DEMONÍACA?


O modismo sempre foi um ato inculcado na humanidade. Surge pelo ideal de proveito para si ou para um grupo.


Devido a isso surgiram as modas de grupos estabelecidos para vender produtos e ideias. Assim ocorreu no meio musical do estilo Rock in Roll.


O estético das roupas dos rockers (pessoas que fazem rock – roqueiro é mais usado para quem ouve e é adepto do Rock – se estiver errado neste conceito, agradeço a correção) advindos em sua maioria das periferias de cidades e países arrasados pela 2ª. Guerra. Roupas rasgadas por não terem dinheiro para comprar novas, usava as que tinha até rasgarem-se. Eram remendadas e também adornadas para que dessem uma cara nova – a criatividade é algo bom.


Alguns grupos de moda, começam a bancar aquela juventude em seus estilo musical e utilizam a sua estética de vestirem-se e os torna ícones do estilo. Vestir-se assim o fazia um rocker ou roqueiro. Ele seria reconhecido na rua e virou um estilo. Até hoje muitas empresas de vestuário sustentam o seu progresso a partir de algo que veio da miséria.


Exemplos concretos: Punk (anos 70) expressão a banda Sex Pistols / Ramones
                                      Heavy Metal (69-80) Black Sabath e Iron Maiden


Apenas para citar alguns exemplos.


Outra forma de dizer sobre a moda ou modismo, foi o Satanismo. Cresceu no final dos anos 60 e adentrou nos anos de 1970 dentro do Rock in Roll. O primeiro disco do Black Sabath trazia uma cruz de ponta cabeça na contra capa. Causou o susto em Ozzy Osbourne e demais membros da banda. Eles vinham de famílias cristãs e aquilo iria causar escândalos entre os seus progenitores. A ideia veio do empresário que acalmou Ozzy de que era moda usar os símbolos satânicos para vender discos. Eles não precisavam sê-los de fato. Apenas manter a imagem. Pura estética, consumismo e comercial.


Mas isso, ficou marcado na mente dos mais conservadores e o Rock que nasce para ser sinal de contradição, atinge o seu objetivo. Gerou preconceitos e “conversões”, intrigas e falácias, lendas e mitos. Rompeu a crença e a descrença e chegou nos dias de hoje ainda marcados por muitos dos conservadores e mentes insanas o estigma do preconceito e dos ataques contra o estilo e seus promotores. O Rock paga o preço da ganância da maioria dos empresários e rockers das grandes bandas que se lançaram aos modismos de seus tempos.

Chega até nós e é difícil de tirar essa pele ultrapassada, pois, as mesmas bandas atacadas e rechaçadas possuem um trabalho bom e de integridade humana essenciais, que despertam para o bom da vida e que nas mentes insanas são demonizadas.

O Rock não tem partido, embora pareça ter marca e roupa...rótulos também. Por ser bom ou ruim, o Rock se eterniza apesar dos preconceitos e más interpretações.


Há uma insanidade demoníaca rondando certos humanos. Esses, que demonizam o Rock, reza a lenda que, são ignorantes de cognitivo. Porque o conhecimento verdadeiro, para eles aparenta ser o próprio Demônio (aquilo que remete ao Mal – que realmente existe e impregna o homem).


Para não perder o costume assistam aí o vídeo:


A Imagem é retirada do Facebook neste link:


terça-feira, 3 de dezembro de 2019

[Crônicas da Vida] ELE SAIU


Ele saiu. Passou pelas ruas estreitas e sujas do seu submundo.



Alargou os passos, pois, já estava perdendo o início de seu único padrão de alegria.



Intencionado apenas em ser feliz. Não possuía vícios, apenas o desejo de ser feliz. E foi adentrando noite adentro para curtir seu único padrão de alegria.



O gosto pela música que de longe o atraía, não o entusiasmava. Porém, aquela alegria que, nela continha a quem nenhuma alegria tinha no seu dia-a-dia, a sua mente não parava de acusar: “era o seu único padrão de alegria, agora vá e volte no outro dia!”. Ele foi.



Não é o que se gosta, mas, é o que se tem. Sua mãe também o dizia quando não queria comer algo não agradável aos olhos ou ao paladar. Mas, ali se tratava do único alimento que seu prato continha. Desprezar o que sacia a sua fome, diante de tanto desprezo que já sentira nos olhos das autoridades só pelo fato de ser um pobre, seria desrespeito a si mesmo. Comia e engolia sem vomitar.



Chegando ao foco do seu único padrão de alegria, foi acolhido pela gritaria e correria...tentou voltar para trás assustado, mas, a onda de gente o atingiu, sem prancha não pode surfar e, dali sair com a sua vida mísera e desprezada.



Seu corpo estendido, agora extinto virou capas de jornais e revistas. Se tornou tristeza para alguns desprezados e esquecidos da sociedade. Para algumas classes de pessoas privilegiadas, seu corpo frio, virou padrão de alegria.



Que ele não seja lembrado como alguém que apanhou da vida. Mas que não seja mais desprezado pelos semelhantes que lutam pelo verdadeiro bem e não são hipócritas como os que se alegram com o findar do brilho de seu olhar. Que essa vida despejada nas vielas de seu lar, possa trazer sentido de vida e alegria mais acolhedora e não exclusiva nas estreitas estradas de quem por elas passarem em busca de uma vida feliz.



Que as classes geradoras de desigualdade possam ter empatia e fazer mais do que acumular poder e riqueza considerando que a única cultura prestável é a sua. Aprendam, de uma vez por todas, que a cultura do acumulo, fere e mata a cultura daqueles que querem apenas ter prazer em viver! Acredito que a lógica do seu acúmulo não deseja a morte de ninguém, ou deseja?


IMAGEM RETIRADA DESSE LINK: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2019-12/nota-regional-sul1-cnbb-morte-jovens-paraisopolis.html