sábado, 27 de outubro de 2012

A Liturgia, amor aos atos de Cristo.

Foto: Pascom Santuário NSa. Aparecida - Aparecida de São Manuel

A Liturgia trata-se de uma ação em favor do povo e ou de alguém e, que, Jesus é o liturgista e o litúrgo por excelência. Esse sentido foi o que aprendi sobre Liturgia em livros, documentos da Igreja e nas aulas de Liturgia no Seminário. 

Entendido Liturgia como ação em favor do povo e ou de alguém, lembro das lições da Bíblia, principalmente pelos evangelistas que, Jesus para salvar e curar e ensinar as pessoas, não cumpria com algumas prescrições litúrgicas de seu povo. Mas, pera aí: Ele não é o liturgista por excelência? Como pode transgredir uma prescrição litúrgica? Temos várias discussões a esse respeito na Bíblia, não apenas um fato isolado da cura do homem na sinagoga em dia de Sábado (Lucas 6,6-11), prescrito pelos hebreus que não se deve realizar nenhum tipo de trabalho neste dia da semana. 

Outro fato marcante que me chama a atenção é o do episódio do casamento em Caná. Ixe, agora quem está lendo deve estar totalmente confuso: “o que o casamento em Caná tem haver com liturgia?” Pois é, vamos ter paciência, ainda chego lá! Não era a hora de Jesus, é o seu argumento para sua mãe ao lhe pedir que fizesse algo em favor daquele jovem casal. Entenderam agora né...? 

Jesus novamente, como no dia de Sábado e agora no casamento em Caná (João 2,1-12), aproveita a situação para, como já disse, salvar, curar e ensinar aos homens: Ele veio quebrar barreiras da hipocrisia e do ritualismo que não gera a salvação à qual Deus mesmo predestinou aos homens por Ele amados! Ensinando que as leis existem, mas, quando não geram a salvação de nada servem. E leva os que o criticaram na Sinagoga a refletirem sobre o que é mais importante: ganhar uma vida ou perdê-la no dia de Sábado? 

Jesus também nos ensina através de Maria, sua mãe, que a sua hora não é apenas em sinais, mas, no maior sinal: a Cruz redentora! Sim a hora de Jesus, tão esperada por Ele e pelo Pai e assim por todos nós é a hora da sua crucificação e, porque Jesus cumpriu certinho a maior das prescrições do Pai, o Pai o ressuscitou da morte. 

Na hora da cruz, Jesus realizou o maior ato litúrgico que o mundo conheceu e, que, pela Igreja, conhecedora, seguidora, discípula, missionária e educadora da fé anunciada e operada por Cristo é renovada todos os dias para a humanidade dos tempos passados, do tempo presente e dos tempos futuros. Isso mesmo que você deve estar pensando: o memorial da Paixão, Morte e Ressurreição, conhecida por nós como Missa, onde nós celebramos a vitória de Cristo sobre a morte que o pecado causa em nós expressado na Eucaristia, que é ninguém mais do que o próprio Jesus Ressuscitado, razão da nossa fé e alegria de ir às Missas (a não ser que você tenha outro motivo para ir às missas).

Pois é, Jesus como maior litúrgo, alguém que faz o bem para o próximo, soube ser sensível às necessidades de quem esperava algo d’ Ele. E “desrespeitando” algumas rubricas litúrgicas, salvou, curou, perdoou os pecados de muitos e tirou o pecado do mundo. É bom lembrarmos que a Eucaristia é para ser comungada e também para a remissão dos pecados. A Eucaristia não é para ser manipulada, mas, para ser salvação, ato puro do amor e da bondade de Deus à todos.

A Igreja nos ensina conforme ensinou Jesus. Suas normas, são para organizar e unificar, mas, não para engessar. E sempre mantém o aspecto primeiro, aprendido com Maria, Mãe e Modelo da Igreja, em fazer tudo que Cristo nos disser. Assim a Igreja transmite os ensinamentos de Jesus e a sua salvação, ação litúrgica em favor de todos, prevalecendo que o homem é o objeto da salvação, não o mandatário da salvação, senão limitamos a salvação apenas à atos humanos e, não a vontade de Deus, operado por Jesus na ação do Espírito Santo que rege a Igreja.

O Espírito é livre e também criativo, por isso, sopra onde quer e vai onde quer e ninguém sabe por onde vai e de onde vem. Aprisionar o Espírito é o mesmo que não O deixar agir. Aprisionar o homem em leis que não o liberta e salva é o mesmo que o impedir de ser salvo. É pregar Jesus na cruz e não o deixar ressuscitar e nos dar assim, por sua ressurreição a vida nova que Ele tanto sofreu para nos dar.

Lamento o texto ter ficado longo, não gosto de escrever textos longos, mas, dessa vez foi necessário e, espero que tenha ficado compreensível. Não sou contra as normas da Igreja, com relação à Liturgia, muito pelo contrário, como presbítero, devo cumpri-las. E cumpri-las não para o meu bem, mas, pelo bem de todos que participam das ações litúrgicas da Igreja e que um dia irão ler, refletir, reclamar, achar os defeitos de linguagem, regras gramaticais, erros de digitação, e até mesmo teológicos (ninguém é perfeito, ás vezes os erros são meios didáticos que Deus permite para aprendermos e experimentarmos o seu amor e misericórdia). Espero mesmo e rezo que compreendam o sentido natural de Liturgia pois, será muito importante para o que vem a seguir. Lembro: liturgia é toda ação em favor dos outros e que, Jesus, é o maior, pois nos redime e nos salva de nossos erros.

A Liturgia, portanto, não se limita apenas à Missa, mas à toda ação que a Igreja realiza para salvar almas. A oração intercessora, a visita aos doentes, a assistência aos pobres, são atos litúrgicos que expressam a salvação e libertação que Cristo realizou para a humanidade. Façamos esses atos com amor.

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