CHAMADO
Ela chegou em casa, depois de um dia em procura de emprego. Adentra e percebe o vazio. O chamado por aquele bendito fruto do seu ventre foi sem eco e sem resposta. O vazio dos cômodos da casa encheu o seu ventre de temor.
Olhava, procurava em todos os lugares, chamava e não era atendida. O ventre que expulsara a 10 anos atrás um fruto, ficando vazio. Vazio, ficou a casa. E o silêncio torturou a sua mente, gritou alto o horror e o medo. Um novo parto, esvaziou o seu lar.
Dias depois, o desespero tomou conta da sua existência ao descobrir que o seu fruto não existia mais ante os seus olhos. Nunca mais a teria em seus braços; nunca mais ouviria sua voz a chamando de mãe; nunca mais compraria um conjunto para deixá-la linda para um passeio pela praça e louvor na igreja a louvar o autor da vida.
A justiça clama o autor da morte, foragido. A humanidade morta e a monstruosidade viva em seu ser. O mal o dominou e maldito se tornou. Nunca mais será, ele mesmo, como o autor da vida o havia constituído. Assumiu outra identidade, distante da semelhança da vida, assumiu o caráter da morte. Revestiu-se de traição, traindo a si mesmo e sua humanidade. Tornou-se outra coisa distante de sua origem.
Ceifou não apenas uma vida, mas, todas as vidas. Aprisionou a todos em um luto e saudades eternas. Nenhuma grade de cadeia é mais forte do que as grades da saudade. Estar privado de liberdade não é nada comparado à dor da ausência.
Ela
olha o vazio e o vazio não a enxerga e nem a consola. Ela, deseja ela com ela,
barulhando e preenchendo a sala de alegria. Não mais...

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