quarta-feira, 4 de fevereiro de 2026

CONCÍLIO VATICANO II (1)

O papa Leão XIV pede que durante esse ano de 2026 seja lançado um olhar ao Concílio Vaticano II, um olhar lançado em seus documentos, mas, principalmente ao espírito que levou São João XXIII a iniciar o Concílio Vaticano II.

O Concílio Vaticano II, convocado por são João XXIII, então papa à época em 1962 mas, foi encerrado por são Paulo VI no ano de 1965. Foi o 21º Concílio Ecumênico da Igreja Católica, e marca uma profunda modernização e abertura da Igreja ao mundo moderno, (aggiornamento). Possui quatro constituições principais: 

1 Lumen Gentium – ponto maior do documento: define a Igreja como o Povo de Deus com foco na sua estrutura e missão. 

2 Dei Verbum – Fala sobre a revelação de Deus e a importância da Palavra de Deus na vida dos cristãos.

3 Sacrosanctum Concilium – essa constituição reforma a Liturgia e permite que as missas sejam presididas na língua de cada país ao invés do latim como era até então.

4 Gaudium et Spes – foca a relação da Igreja com o mundo principalmente nos temas sociais.

O Concílio Vaticano II é visto como um “novo pentecostes” que renova a Igreja. Há também aqueles que não o enxergam assim, porém, é um Concílio importante para o desenvolvimento do diálogo e participação, elementos essenciais para que a Igreja continue a missão de Cristo no mundo.

Além das constituições, o Concílio possui declarações e decretos para reger a unidade e identidade da Igreja na humanidade.

Foto: https://www.a12.com/redacaoa12/historia-da-igreja/concilio-vaticano-ii-60-anos-de-sua-abertura.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Reflexão do Evangelho de Marcos 5,21-43

(por Padre Rogério Zenateli - 03.02.2026)

Fé, palavra curta, porém, causadora de grandes benefícios à humanidade. Para muitos é uma ferramenta. Por isso, um alerta: não podemos limitar a fé como mecanismo ou moeda de troca com Deus. Deus e a graça não são produtos de supermercado.

 

A fé é uma virtude. Jesus se alegra com a fé dos que o buscam. Quantas e quantas vezes Jesus elogia as pessoas pela fé que possuem e igualmente critica os que não possuem fé. O contrário de virtude é o vício.

 

A fé é virtude teologal, ou seja, que vem de Deus para o homem, assim como as outras duas virtudes: esperança e a caridade (amor). E a partir dessas três virtudes, é derivada outras virtudes que fazem parte da natureza humana.

 

Temos dois casos de fé nesta perícope de hoje. Marcos catequiza a sua comunidade e salienta que é necessário alimentar a nossa fé em Cristo. O medo e a descrença, tem lugar no evangelho de hoje para mostrar que o nosso relacionamento com Deus deve ser de fé e não pautado pelo medo e as incertezas.

 

Jesus nos ensina que a fé é uma condição que responde ao amor que Deus tem por todos. A fé não é ferramenta, é resposta ao amor de Deus que, nos dá a vida e nos cerca de carinhos. Ao pedir ao povo sem fé para não o acompanhar nos alerta: possuir medos e inseguranças na fé, não permite contemplar as graças de Deus ocorrendo no dia a dia.

 

Peçamos a Deus a sensibilidade para enxergar, pela virtude da fé, as suas maravilhas que ocorrem no cotidiano da vida.

Foto: Equipe Litúrgica da Missa de 25 de janeiro de 2026 na Capela Santa Luzia, Cecap de Igaraçu do Tietê..

quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

DEUS FIRMA SUA MORADA ENTRE OS HOMENS

Reflexão 3º. Domingo do Tempo Comum Ano A (25 de janeiro de 2026) por Padre Rogério Zenateli

O verbo estabelecer indica firmar. Jesus firma no evangelho de Mateus (4,12-23) uma nova morada, de Nazaré firma morada em Cafarnaum e ali firma o início da sua missão ao saber que João Batista estava privado de liberdade pela injustiça de Herodes.

O anúncio de Cristo é claro: “Convertei-vos, porque o Reino de Deus está próximo” (Mt 4,17). Jesus não firma apenas uma morada física, Ele quer fixar-se de forma plena na humanidade. Assim, logo em seguida, Ele vai formando seu grupo de amigos discípulos que posteriormente se tornam também amigos discípulos missionários, como Ele, continuando a sua presença no mundo.

 Mesmo que Jesus firma, estabelece moradia em Cafarnaum e João posto em prisão, a casa de Cafarnaum não prende Jesus que sai proclamar o Reino de Deus e liberta João da prisão da injustiça humana. Porque anteriormente, ao fixar residência em Cafarnaum, Jesus firma o seu compromisso de fidelidade ao Pai Criador. Assim, é a luz que vem iluminar as trevas em que as nações viviam conforme a profecia de Isaías (Is 8, 23b-9,3 – primeira leitura).

 Após os seus discípulos terem a vida transformada por Jesus se tornam pescadores de homens, não mais de peixes (Mt 4,19), a proposta e a vida de conversão desses homens e mulheres sai da inércia e do vislumbre de sua Palavra para a prática que, anos depois da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo, os torna também fiéis ao projeto missionário de Deus Pai Criador de firmar entre os homens o seu Reino de liberdade e justiça.

Os discípulos missionários de Jesus assumem a sua vida, obra e missão com fidelidade, continuando o que Ele mesmo iniciou na fidelidade decisiva ao estabelecer em Cafarnaum. Esses amigos discípulos ao formar novos discípulos sempre os alertavam para não se distanciarem da fidelidade a Cristo e não idolatrarem o discípulo missionário que não é digno de honrarias (cf. 1Cor 1,10-13.17 – segunda Leitura).

Trocar o autor da mensagem pelo mensageiro é erro grosseiro do cristão. Só Cristo tem o dom de nos salvar, libertar, conduzir à luz e realizar toda a justiça de Deus sobre a humanidade que jaz à sombra do erro do pecado e da morte. Assim, em Jesus Cristo, a Palavra Encarnada que, Deus arma e firma a sua tenda entre os homens.

Que Deus inspire nos cristãos os bons propósitos de uma fidelidade Cristocêntrica e não idolátrica aos seus enviados. Que todos possam enxergar no ministério da Igreja e seus ministros, o dom de Deus e O reverencie como Aquele que através dela é luz, salvação e proteção da humanidade (cf. Sl 26 (27)).