Reflexão 3º. Domingo do Tempo Comum Ano A
(25 de janeiro de 2026) por Padre Rogério Zenateli
O verbo estabelecer indica firmar. Jesus
firma no evangelho de Mateus (4,12-23) uma nova morada, de Nazaré firma morada
em Cafarnaum e ali firma o início da sua missão ao saber que João Batista estava
privado de liberdade pela injustiça de Herodes.
O anúncio de Cristo é claro: “Convertei-vos,
porque o Reino de Deus está próximo” (Mt 4,17). Jesus não firma apenas uma
morada física, Ele quer fixar-se de forma plena na humanidade. Assim, logo em seguida,
Ele vai formando seu grupo de amigos discípulos que posteriormente se tornam
também amigos discípulos missionários, como Ele, continuando a sua presença no
mundo.
Mesmo que Jesus firma, estabelece moradia
em Cafarnaum e João posto em prisão, a casa de Cafarnaum não prende Jesus que
sai proclamar o Reino de Deus e liberta João da prisão da injustiça humana. Porque
anteriormente, ao fixar residência em Cafarnaum, Jesus firma o seu compromisso de
fidelidade ao Pai Criador. Assim, é a luz que vem iluminar as trevas em que as nações
viviam conforme a profecia de Isaías (Is 8, 23b-9,3 – primeira leitura).
Após os seus discípulos terem a vida
transformada por Jesus se tornam pescadores de homens, não mais de peixes (Mt 4,19),
a proposta e a vida de conversão desses homens e mulheres sai da inércia e do
vislumbre de sua Palavra para a prática que, anos depois da Paixão, Morte e
Ressurreição de Cristo, os torna também fiéis ao projeto missionário de Deus
Pai Criador de firmar entre os homens o seu Reino de liberdade e justiça.
Os discípulos missionários de Jesus
assumem a sua vida, obra e missão com fidelidade, continuando o que Ele mesmo iniciou
na fidelidade decisiva ao estabelecer em Cafarnaum. Esses amigos discípulos ao
formar novos discípulos sempre os alertavam para não se distanciarem da
fidelidade a Cristo e não idolatrarem o discípulo missionário que não é digno
de honrarias (cf. 1Cor 1,10-13.17 – segunda Leitura).
Trocar o autor da mensagem pelo mensageiro
é erro grosseiro do cristão. Só Cristo tem o dom de nos salvar, libertar, conduzir
à luz e realizar toda a justiça de Deus sobre a humanidade que jaz à sombra do
erro do pecado e da morte. Assim, em Jesus Cristo, a Palavra Encarnada que, Deus
arma e firma a sua tenda entre os homens.
Que Deus inspire nos cristãos os bons
propósitos de uma fidelidade Cristocêntrica e não idolátrica aos seus enviados.
Que todos possam enxergar no ministério da Igreja e seus ministros, o dom de
Deus e O reverencie como Aquele que através dela é luz, salvação e proteção da
humanidade (cf. Sl 26 (27)).