Quando Pedro desperta a essa
convicção, demora ainda alguns anos para a abraça-la como um todo e sistema
para a sua vida.
Pedro aceitar que não existe
homens puros e impuros estava difícil. Apesar de toda trajetória ao lado do seu
Mestre que, viveu o não preconceito e se fez pecador pelos pecadores, inclusive
por ele Pedro!
Jesus, o Mestre de Pedro, ao ser
batizado por João no rio Jordão, que naquela época era um convite à conversão,
expressa o seu NÃO ao preconceito tão enraizado naquela época entre os seus. Jesus,
o bem sabemos, nós crentes, que é o Filho de Deus, portanto, não era detentor
do pecado. Essa é a chave teológica para entender o porquê de Jesus querer e
insistir em ser batizado mesmo com a relutância de João – que não queria por
saber de quem se tratava.
Assim ele rompe com a aquela
ideia preconceituosa dos líderes de sua época e marcada na cultura de seu povo.
Batismo é apenas para quem é impuro para adquirir uma nova vida, purificada
pelas águas. O batismo de conversão não era aceito pelos fariseus e saduceus,
pois, esses se julgavam puros. Os beberrões, prostitutas, adúlteros (as),
publicanos e soldados, eram pessoas impuras, pecadoras e para eles servia o
batismo.
A festa do Batismo do Senhor vem
ser um diálogo de Deus Pai com os seres humanos através da pessoa de Jesus, o
seu Filho Amado no qual Ele confia. Assim se cumpre toda a profecia de Isaías
que acompanhamos na primeira leitura.
Os símbolos do batismo de Cristo realça
a volta do diálogo de Deus com os homens. A partir disso, a verdadeira Tradição
cristã, aponta, desde as primeiras comunidades dos crentes, que Jesus é o enviado
do Pai para restabelecer com a sua servidão a verdade do Pai que liberta: é
misericordioso, ama a todos e a todos quer libertar dos erros.
Isaias aponta em uma época e
clama a Deus que rasgue os céus e volte a amizade com os homens pois, o seu
silencio era incomodo à quem o amava e lhe era fiel. Assim profere a profecia
do Servo Sofredor. Rompendo com a lógica humana, as razões de Deus é mais sábia
do que a vã filosofia humana.
Deus em seu silêncio forja, como
o ferreiro a espada, o momento de retornar a dialogar mais diretamente ao
homem, do que os silêncios dos pores e surgir dos sóis no horizonte da vida
humana. Depois de 300 anos em silêncio, Deus rasga os céus com o seu Filho.
A vida de Jesus é para nos ensinar
o amor do Pai e nele viver. Em Jesus, Deus nos convida a viver a vida d’Ele.
Compartilha conosco que o seu desejo de Pai é que nós façamos parte das suas bênçãos.
Para Pedro compreender isso, foi
difícil, apesar de amar o Mestre. Sua infidelidade ainda era tosca e ele
aprendeu também que o converter-se é uma busca constante de todo discípulo
missionário de Jesus. Mas, se fechar à esse converter-se todos os dias é, dar
às costas ao Mestre. É hipocrisia.
O que nossa comunidade e, mesmo
em nosso individualismo aprendemos do Batismo do Senhor? Também buscamos
separar as pessoas em bons e maus? Puros e impuros? Nos aproximamos daqueles que
julgamos impuros ou buscamos meios para deles nos aproximarem e assim, ser
sinal de amor e não de exclusão e preconceito.
Em uma época de forte polarização
na cultura de seu povo, Jesus mostra o caminho do amor. Em nossa época
polarizada, estamos sendo o sinal de Cristo para a prática do amor e ou estamos
engordando os discursos de ódio, racismos e negações nos vários segmentos da
organização da sociedade que, no fundo são, mecanismos para nos aproximar e nos
ajudar mutuamente, tornando nossa vida mais feliz uns com os outros?
Vamos fazer esse exercício durante
a semana: um exame de consciência diante da vida de Jesus e de seus
ensinamentos e averiguar até que ponto estamos sendo sinal dele no mundo. Para ajudar
a proposta é o capítulo 25, 31-46 de Mateus.
Vamos também perceber diante
disso se muitos de nós, não estamos sendo culpados por tanta intransigência nos
dias atuais pelo crescimento do ódio e motivos de fazerem piadas com a pessoa
de nosso Mestre forçando assim um exame de nossa consciência.
Será que mais uma vez, Jesus está
se fazendo pecado por nós pecadores?