sábado, 25 de janeiro de 2020

O POVO VIU UMA GRANDE LUZ



Nos relatos do início da vida pública de Cristo, somos convidados à conhecer a história de um amor. O amor do Pai pelo seu povo.


O Pai, sempre propício ao seu povo demonstra amor, despertando esperança em tempos de crise através de homens e mulheres chamados a serem a sua presença e voz em meio às tempestades da história.


A humilhação que faz a escuridão sobre o povo é dissipada pelas promessas e ações de Deus no decorrer da história.


Culmina em Jesus, a história desse amor, e prossegue além pelos que em Jesus creem e seguem os seus passos, imitando a sua vida no curso da história.


É assim a saga da Igreja, dos discípulos missionários de Jesus: dar continuidade à história do amor do Pai a todos os homens e mulheres do mundo, à imitação de Cristo.


Para isso, nos diz um de seus arautos no início da pregação do Evangelho, é preciso estarmos em unidade com Cristo e uns com os outros.


O respeito mútuo e a colaboração uns com os outros apesar das diferenças é a unidade que precisamos para que faça valer o sangue derramado na cruz para a salvação de todos.

Assim a luz de Cristo, a sua vida, brilha para todos os povos no mundo e dissipe a escuridão que impede os povos de progredirem no bem e crescerem como irmãos e não como objetos, escravos e inimigos uns dos outros. Cristão é para ser luz e não trevas!

RETALHOS DE MIM



Hoje, 25 de janeiro de 2020, completo 12 anos de ministério presbiteral. É um texto de agradecimento a Deus e a todos que se aliam a Ele para me fortalecer na caminhada.
 
No dia 30 comemoro 45 anos de vida, e em Março, não lembro a data correta, mas, completo 45 anos de cristão batizado. Em algum outro mês desse ano, comemoro 23 anos de consciência da missão como cristão.

Sim, nem sempre fui consciente da minha missão como cristão batizado. Essa maturidade vem sendo crescente a cada ano partindo das primeiras experiência nos engajamentos pastorais da comunidade São Benedito em Lençóis Paulista, junto ao Grupo de Jovens J.A.A.S.B. (Jovens Alegres Atuantes de São Benedito) da Pastoral da Juventude. Iniciado com o convite de minha irmã caçula e com os demais jovens que me acolheram e foram nos encontros mostrando o quanto é importante exercer a graça dos sacramentos.
 
O protagonismo foi se intensificando e a configuração foi sendo fortalecida chegando ao ponto de hoje, que espero ser sempre progredido e, juro que faço, todo o esforço possível para não retroagir.
 
Antes de ser aceito no seminário em minhas orações pedia a inspiração divina sobre o que Ele esperava de mim, seja como cristão leigo e ou um consagrado e, no meu intimo vinha a palavra “benevolência”.
 
No segundo ano do curso de Filosofia, a palavra benevolência foi ficando mais clara e já pude definir o lema para o ministério: “Tende em vós os mesmos sentimentos de Cristo Jesus” (Fl 2,5) que está grifada na minha bíblia até hoje o qual, relembro todos os dias ao acordar e ofereço como ação e oração no meu dia a dia.
 
Que alegria poder celebrar mais um ano de ministério, apesar dos pesares. Do cansaço, do peso, das cobranças da consciências e dos olhares de todos pela rua e nas assembleias litúrgicas. Aliás, o local litúrgico do presbítero é o solo da cidade em que ele se encontra. O cotidiano da cidade é o altar que o ministro ordenado deve oferecer o sacrifício de nosso Senhor e o de si para que seja sagrado o dia a dia dos que transeuntes da vida, como nos pede o Cristo.
 
Deus comunique a sua graça a todos vocês.

sábado, 11 de janeiro de 2020

ELE NÃO FAZ EXCLUSÃO DE PESSOAS



Quando Pedro desperta a essa convicção, demora ainda alguns anos para a abraça-la como um todo e sistema para a sua vida.

Pedro aceitar que não existe homens puros e impuros estava difícil. Apesar de toda trajetória ao lado do seu Mestre que, viveu o não preconceito e se fez pecador pelos pecadores, inclusive por ele Pedro!

Jesus, o Mestre de Pedro, ao ser batizado por João no rio Jordão, que naquela época era um convite à conversão, expressa o seu NÃO ao preconceito tão enraizado naquela época entre os seus. Jesus, o bem sabemos, nós crentes, que é o Filho de Deus, portanto, não era detentor do pecado. Essa é a chave teológica para entender o porquê de Jesus querer e insistir em ser batizado mesmo com a relutância de João – que não queria por saber de quem se tratava.

Assim ele rompe com a aquela ideia preconceituosa dos líderes de sua época e marcada na cultura de seu povo. Batismo é apenas para quem é impuro para adquirir uma nova vida, purificada pelas águas. O batismo de conversão não era aceito pelos fariseus e saduceus, pois, esses se julgavam puros. Os beberrões, prostitutas, adúlteros (as), publicanos e soldados, eram pessoas impuras, pecadoras e para eles servia o batismo.

A festa do Batismo do Senhor vem ser um diálogo de Deus Pai com os seres humanos através da pessoa de Jesus, o seu Filho Amado no qual Ele confia. Assim se cumpre toda a profecia de Isaías que acompanhamos na primeira leitura.

Os símbolos do batismo de Cristo realça a volta do diálogo de Deus com os homens. A partir disso, a verdadeira Tradição cristã, aponta, desde as primeiras comunidades dos crentes, que Jesus é o enviado do Pai para restabelecer com a sua servidão a verdade do Pai que liberta: é misericordioso, ama a todos e a todos quer libertar dos erros.

Isaias aponta em uma época e clama a Deus que rasgue os céus e volte a amizade com os homens pois, o seu silencio era incomodo à quem o amava e lhe era fiel. Assim profere a profecia do Servo Sofredor. Rompendo com a lógica humana, as razões de Deus é mais sábia do que a vã filosofia humana.

Deus em seu silêncio forja, como o ferreiro a espada, o momento de retornar a dialogar mais diretamente ao homem, do que os silêncios dos pores e surgir dos sóis no horizonte da vida humana. Depois de 300 anos em silêncio, Deus rasga os céus com o seu Filho.

A vida de Jesus é para nos ensinar o amor do Pai e nele viver. Em Jesus, Deus nos convida a viver a vida d’Ele. Compartilha conosco que o seu desejo de Pai é que nós façamos parte das suas bênçãos.

Para Pedro compreender isso, foi difícil, apesar de amar o Mestre. Sua infidelidade ainda era tosca e ele aprendeu também que o converter-se é uma busca constante de todo discípulo missionário de Jesus. Mas, se fechar à esse converter-se todos os dias é, dar às costas ao Mestre. É hipocrisia.

O que nossa comunidade e, mesmo em nosso individualismo aprendemos do Batismo do Senhor? Também buscamos separar as pessoas em bons e maus? Puros e impuros? Nos aproximamos daqueles que julgamos impuros ou buscamos meios para deles nos aproximarem e assim, ser sinal de amor e não de exclusão e preconceito.

Em uma época de forte polarização na cultura de seu povo, Jesus mostra o caminho do amor. Em nossa época polarizada, estamos sendo o sinal de Cristo para a prática do amor e ou estamos engordando os discursos de ódio, racismos e negações nos vários segmentos da organização da sociedade que, no fundo são, mecanismos para nos aproximar e nos ajudar mutuamente, tornando nossa vida mais feliz uns com os outros?

Vamos fazer esse exercício durante a semana: um exame de consciência diante da vida de Jesus e de seus ensinamentos e averiguar até que ponto estamos sendo sinal dele no mundo. Para ajudar a proposta é o capítulo 25, 31-46 de Mateus.

Vamos também perceber diante disso se muitos de nós, não estamos sendo culpados por tanta intransigência nos dias atuais pelo crescimento do ódio e motivos de fazerem piadas com a pessoa de nosso Mestre forçando assim um exame de nossa consciência.

Será que mais uma vez, Jesus está se fazendo pecado por nós pecadores?

domingo, 5 de janeiro de 2020

[CRÔNICAS DA VIDA] A MANSÃO


Quando ele era criança, passava pelos bairros mais ricos em direção à escola, olhava as mansões que enfeitavam o seu caminho. Aquilo para ele ia além da pura e simples estética. Expressava felicidade.

Sim, mansão, a quem mora em barraco, é sonho de felicidade. Não tem goteira e risco de curto circuito por conta dos “gatos” instalados na euforia da pressa. Dinheiro escasso, “compartilhar” a rede de outro sem pagar nada, é algo essencial, ao menos para ligar o ventilador arranjado por uma alma caridosa.

“Um dia vou ter a minha mansão!” exclamava em pensamento, em solidão.

O tempo não foi favorável ao sonho e a vida não foi solidária de uma forma honrosa e digna como deveria ser.

Aliado à alguns degredados como ele, prostituídos pela cafetinagem política, edificam uma “mansão”. Ideal de sonho realizado, porém nada de honradez. Aquela mansão abrigava a felicidade para quem endinheirado estava.

Para a felicidade dos endinheirados que adentravam naquela mansão para usarem seus venenos, mortais e extasiantes, ele era o guardador de seus carros, enquanto se divertiam “viagem” adentro de sonhos e paranoias, ele desfrutava de um pouco de seu sonho de luxo infantil, nos importados dos frequentadores da sociedade mansão.

Ele foi convidado pelo sócio mor para acompanha-lo em um serviço de “Correios”. Bacana...desfrutar um pouco mais do luxo infantil, desfilando o seu cabelo ao vento pelas avenidas da cidade, ao som do conjunto preferido com aquele motor importado! “Bora lá”...

Bora mesmo...nunca mais voltou... As mansões infantis ainda permanecem intactas em sua estética, sendo felicidade dos ricos e sonho dos pobres. As “mansões” que lhe davam migalhas de felicidade, mantém sendo alegria dos endinheirados e seus venenos; continuam matando não só o corpo mas, também sonhos e esperanças.

Imagem acessada do site:
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