Quando ele era criança, passava
pelos bairros mais ricos em direção à escola, olhava as mansões que enfeitavam
o seu caminho. Aquilo para ele ia além da pura e simples estética. Expressava felicidade.
Sim, mansão, a quem mora em
barraco, é sonho de felicidade. Não tem goteira e risco de curto circuito por
conta dos “gatos” instalados na euforia da pressa. Dinheiro escasso, “compartilhar”
a rede de outro sem pagar nada, é algo essencial, ao menos para ligar o
ventilador arranjado por uma alma caridosa.
“Um dia vou ter a minha mansão!”
exclamava em pensamento, em solidão.
O tempo não foi favorável ao
sonho e a vida não foi solidária de uma forma honrosa e digna como deveria ser.
Aliado à alguns degredados como
ele, prostituídos pela cafetinagem política, edificam uma “mansão”. Ideal de
sonho realizado, porém nada de honradez. Aquela mansão abrigava a felicidade
para quem endinheirado estava.
Para a felicidade dos
endinheirados que adentravam naquela mansão para usarem seus venenos, mortais e
extasiantes, ele era o guardador de seus carros, enquanto se divertiam “viagem”
adentro de sonhos e paranoias, ele desfrutava de um pouco de seu sonho de luxo
infantil, nos importados dos frequentadores da sociedade mansão.
Ele foi convidado pelo sócio mor
para acompanha-lo em um serviço de “Correios”. Bacana...desfrutar um pouco mais
do luxo infantil, desfilando o seu cabelo ao vento pelas avenidas da cidade, ao
som do conjunto preferido com aquele motor importado! “Bora lá”...
Bora mesmo...nunca mais voltou...
As mansões infantis ainda permanecem intactas em sua estética, sendo felicidade
dos ricos e sonho dos pobres. As “mansões” que lhe davam migalhas de
felicidade, mantém sendo alegria dos endinheirados e seus venenos; continuam
matando não só o corpo mas, também sonhos e esperanças.
Imagem acessada do site:
https://blocodedesenho.wordpress.com/tag/desenho-de-favela/

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