sábado, 11 de janeiro de 2020

ELE NÃO FAZ EXCLUSÃO DE PESSOAS



Quando Pedro desperta a essa convicção, demora ainda alguns anos para a abraça-la como um todo e sistema para a sua vida.

Pedro aceitar que não existe homens puros e impuros estava difícil. Apesar de toda trajetória ao lado do seu Mestre que, viveu o não preconceito e se fez pecador pelos pecadores, inclusive por ele Pedro!

Jesus, o Mestre de Pedro, ao ser batizado por João no rio Jordão, que naquela época era um convite à conversão, expressa o seu NÃO ao preconceito tão enraizado naquela época entre os seus. Jesus, o bem sabemos, nós crentes, que é o Filho de Deus, portanto, não era detentor do pecado. Essa é a chave teológica para entender o porquê de Jesus querer e insistir em ser batizado mesmo com a relutância de João – que não queria por saber de quem se tratava.

Assim ele rompe com a aquela ideia preconceituosa dos líderes de sua época e marcada na cultura de seu povo. Batismo é apenas para quem é impuro para adquirir uma nova vida, purificada pelas águas. O batismo de conversão não era aceito pelos fariseus e saduceus, pois, esses se julgavam puros. Os beberrões, prostitutas, adúlteros (as), publicanos e soldados, eram pessoas impuras, pecadoras e para eles servia o batismo.

A festa do Batismo do Senhor vem ser um diálogo de Deus Pai com os seres humanos através da pessoa de Jesus, o seu Filho Amado no qual Ele confia. Assim se cumpre toda a profecia de Isaías que acompanhamos na primeira leitura.

Os símbolos do batismo de Cristo realça a volta do diálogo de Deus com os homens. A partir disso, a verdadeira Tradição cristã, aponta, desde as primeiras comunidades dos crentes, que Jesus é o enviado do Pai para restabelecer com a sua servidão a verdade do Pai que liberta: é misericordioso, ama a todos e a todos quer libertar dos erros.

Isaias aponta em uma época e clama a Deus que rasgue os céus e volte a amizade com os homens pois, o seu silencio era incomodo à quem o amava e lhe era fiel. Assim profere a profecia do Servo Sofredor. Rompendo com a lógica humana, as razões de Deus é mais sábia do que a vã filosofia humana.

Deus em seu silêncio forja, como o ferreiro a espada, o momento de retornar a dialogar mais diretamente ao homem, do que os silêncios dos pores e surgir dos sóis no horizonte da vida humana. Depois de 300 anos em silêncio, Deus rasga os céus com o seu Filho.

A vida de Jesus é para nos ensinar o amor do Pai e nele viver. Em Jesus, Deus nos convida a viver a vida d’Ele. Compartilha conosco que o seu desejo de Pai é que nós façamos parte das suas bênçãos.

Para Pedro compreender isso, foi difícil, apesar de amar o Mestre. Sua infidelidade ainda era tosca e ele aprendeu também que o converter-se é uma busca constante de todo discípulo missionário de Jesus. Mas, se fechar à esse converter-se todos os dias é, dar às costas ao Mestre. É hipocrisia.

O que nossa comunidade e, mesmo em nosso individualismo aprendemos do Batismo do Senhor? Também buscamos separar as pessoas em bons e maus? Puros e impuros? Nos aproximamos daqueles que julgamos impuros ou buscamos meios para deles nos aproximarem e assim, ser sinal de amor e não de exclusão e preconceito.

Em uma época de forte polarização na cultura de seu povo, Jesus mostra o caminho do amor. Em nossa época polarizada, estamos sendo o sinal de Cristo para a prática do amor e ou estamos engordando os discursos de ódio, racismos e negações nos vários segmentos da organização da sociedade que, no fundo são, mecanismos para nos aproximar e nos ajudar mutuamente, tornando nossa vida mais feliz uns com os outros?

Vamos fazer esse exercício durante a semana: um exame de consciência diante da vida de Jesus e de seus ensinamentos e averiguar até que ponto estamos sendo sinal dele no mundo. Para ajudar a proposta é o capítulo 25, 31-46 de Mateus.

Vamos também perceber diante disso se muitos de nós, não estamos sendo culpados por tanta intransigência nos dias atuais pelo crescimento do ódio e motivos de fazerem piadas com a pessoa de nosso Mestre forçando assim um exame de nossa consciência.

Será que mais uma vez, Jesus está se fazendo pecado por nós pecadores?

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