Somos, como cristãos, a superar a
tristeza. Existem várias formas de tristezas. O fim do relacionamento com
alguém que amamos; o emprego que perdemos; a doença que nos atingiu; e talvez,
a pior de todas: a morte de alguém. Tema deste 5º. Domingo da Quaresma tem como
primeiro elemento a morte, porém, ela se torna apenas um pano de fundo, pois, o
protagonista não é a morte e sim a vida!
A perda de alguém que consideramos
é devastador para todos. Mas, Deus é o senhor da vida. Por que razão ‘permite’
a nossa morte? Deus não rompe com o ciclo natural da vida. A morte é um ciclo
da vida. Essa morte física é natural. No entanto, o sobrenatural está no
contexto da continuidade da vida e não do corpo.
As duas leituras antes do
Evangelho, nos diz dessa vida que não acaba. Aponta o Evangelho que essa vida
tem continuidade.
Podemos ilustrar isso de uma
forma simples. Uma vida gerada no ventre de sua mãe. Ali ela está cercada de
água e alimento que advém por um cordão umbilical, quando chega o momento do
parto, aquela vida fechada no ventre morre, e nasce para a vida fora do ventre.
Quando chega a plenitude da sua vida, ela encerra a sua vida neste nascer e
adentra na vida em Deus, que chamamos de ressurreição: vida após a morte. Essa
vida ela passa dessa realidade corpórea que sabemos que saímos do ventre de
nossas mães, crescemos, viajamos, estudamos criamos laços de amizades, formamo-nos
em alguma profissão, e depois partimos dessa realidade para entramos em outra,
segundo a fé. Como se estivéssemos em uma pista asfaltada e em certa
quilometragem, esse asfalto acaba mas, a estrada continua como estrada de
terra. “Aquele que crê em mim mesmo que morra viverá eternamente” podemos dessa
forma compreender o que Jesus diz com essa frase tão confusa para a nossa
racionalidade.
Quem crê em Jesus possui a sua
vida. Ele mesmo passou pelos estágios da realidade: ventre de Maria, conheceu
os sofrimentos humanos – a ponto de saber o que torna o homem feliz e infeliz –
, passou pelos sofrimentos de sua morte física e Deus o ressuscitou e está
junto dele na eternidade.
Possamos no dia a dia expressar a
profissão de fé de Marta: “Sim, Senhor, eu sei que tu és o Messias, que devia
vir”. Desta forma o primeiro plano, a morte, diante da fé em Cristo, se torna
pano de fundo. A vida doente de Lázaro, renova-se. O que o levou à morte, já
não existe mais, e sim apenas a sua vida.
Desta forma, em Jesus, Deus
mostra que é o Deus da vida e não da morte. Demonstra que Ele não quer a morte,
mas, sabe que a morte de seus fiéis é necessária para que manifeste o seu poder
sobre ela.
De uma forma mais corriqueira, os
símbolos desse evangelho nos remete à outros detalhes. O evangelista narra o
fato dos irmãos Marta, Maria e Lázaro mas, não fala sobre os pais; sobre se
tinham filhos, maridos e ou esposa. Em João a irmandade de Marta, Maria e Lázaro
significa a comunidade cristã. Essa comunidade é amada por Jesus, e vive as
suas condições de morte: maledicências, intrigas, divisões, assim, como podemos
ver nas pequenas comunidades familiares: consumo de drogas e álcool; traições e
adultérios; rebeldia entre os filhos e irmãos entre outros que designam as
situações que geram a morte (não material, a princípio mas, a morte no sentido
de tristeza uns com os outros perante a vida que levam). Assim é preciso
redescobrir a fé em Cristo e viver a vida nova que Ele propõe. Se desatar
daquilo que provoca a sua morte; que provocam as intrigas e divisões; os levam
a consumir excessivamente a própria vida na indignidade. Ouvindo a voz de Jesus
que chama de volta à vida de alegria no convívio saudável com os seus.
Vamos nos lançar a Jesus, cura
para tantas enfermidades em nossa vida familiar e em comunidade.




