sexta-feira, 1 de maio de 2020

[CRÔNICAS DA VIDA] A AUSÊNCIA


Igreja São Joaquim - Igaraçu do Tietê
- Mãe, por que não vou poder ir à missa? – perguntou ela à sua mãe, querendo que ela mudasse de ideia.

- Pelo simples fato de você estar de castigo! Respondeu-lhe a mãe, sabendo da esperteza da filha e o logro que ela queria lhe dar.

- Ahhhh mãe, deixa eu ir... foi o seu dengo sem efeito.

Um mês sem missa e sem celular (nem ligava muito para isso, mas, lhe tirava a concentração quando o tinha em mãos).

Os dias se foram e o pessoal da comunidade, inclusive o padre já nem mais a conhecera quando a viram na entrada da capela.

Havia crescido longe de seus olhares. Sentiram falta porém, ela era a única que frequentava a comunidade entre os seus familiares. Todos ficaram desinformados a seu respeito.

Alguns acharam que havia mudado ou ido à casa de algum parente em cidade fora. O pessoal que morava na mesma rua, testemunharam a casa sempre fechada e nenhum barulho. Isso fez supor o vazio no lar.

A sua quarentena chegara ao fim, e a alegria fazia parte de sua vida novamente. Era como se houvesse vida, e, depois daquele domingo, as testemunhas, diziam que a casa voltara à barulhar um lar!

Ela sentia a diferença entre a solidão da tristeza em perder a fonte de sua alegria e a alegria que a enchia de vida ao sentir o cheiro de sua comunidade e das paredes da capela. Nunca mais quis ter motivos para ser afastada do que a fazia sentir vida.

Foto: Rogério Zenateli

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